quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

MAMMA ROSA

tô perturbando meus amigos do Rio de Janeiro. é que vou dar uma passada rápida por lá. Não tô preocupado em divulgar isso na net, pois vou ter cobertura aqui em casa. o cafofo não vai estar sozinho. vai ter gente aqui toda hora. Fora ladrões! o fato é que muito me anima me encontrar com muitos amigos do passado. desde que cheguei em Roraima, eu acho que já fui ao Rio umas três ou quatro vezes, sempre em função de trabalho, articulação, mas nunca deu pra encontrar muita gente. sempre procuro os mais ligados, mas dessa vez tô atrás de todo mundo. espero que o povo possa na data combinada. vamos nos encontrar no dia 10/12, no Mamma Rosa, uma pizzaria em frente da rua da CAL. sempre íamos lá. nossas noites sempre terminavam no Mamma Rosa. quem quiser chegar é só chegar. estaremos lá de braços abertos, de olho no passado e abençoando o presente, sem ressentimentos, certo? ei, o convite vale pros globais também...




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ESTATÍSTICAS DO SEXTAS CRÔNICAS

Fala, meu povo! Obrigado pela curiosidade e leitura do blog. Eu mudei o processo de estatística dessa página e desde 08/07/09 mais de 1069 leitores curiosos chegaram até aqui. Alguns acho até que são os mesmos, pois acompanho os locais e tem sempre vários estados repetidos. É só clicar na figura verde do contador ao final de cada post e acompanhar. Muitos chegam através do site da Cia. do Lavrado. Sei que vocês não curtem deixar comentários, quem costuma comentar por aqui é o meu amigo, Edgar Borges, jornalista e um puta de um escritor; a Cora Rufino, que faz arquitetura e é uma baita de uma atriz (pena que abandonou o ofício, perdemos muito com isso), alguns amigos do passado que resolvem entrar na referida página e deixam um alô! Enfim, de acordo com as estatísticas são mais de 200 acessos por mês. Bom, fico muito feliz por isso. Sou um escritor indisciplinado e completamente desorganizado e praticamente o que escrevo nem publico, a não ser por aqui. O único texto teatral que consegui levar pra cena foi O ÚLTIMO DIA, que conta a história de Paulinho, um usuário de drogas e tem a participação de alguns personagens que circulam por seu meio alucinado. Tive um projeto aprovado na FUNARTE - Fundação Nacional de Artes, o texto se chama APENAS UM BLUES E UMA PAREDE PICHADA, a minha menina dos olhos, vivo modificando essa porra, mas ainda não consegui colocá-lo em cartaz. Primeiro, devido ao acúmulo de atividades da Cia. do Lavrado e depois porque falta uma atriz pra fazer esse trabalho. Aqui no estado de Roraima não tem muita gente disposta a encarar a pedrada dos ensaios, principalmente quando falamos da vida de outsiders, ninguém quer se expor, mas acredito que em 2010 eu coloque este (ou esse, eu não consigo acertar nunca essa diferenciação) espetáculo em cartaz. Tenho três textos registrados na Biblioteca Nacional, um deles é o que já mencionei acima, inclusive apresentei ele no I Festival de Teatro da Amazônia, no tempo em que os artistas de Manaus estavam abertos para outras propostas, hoje, a coisa por lá tá feia. Entrou grana, saiu a excelência artística. Tudo por dinheiro. Enfim, nesse caminho tortuoso, ainda tenho um livro, que não consegui publicar e até tentei pela Lei de Incentivo do Estado de Roraima, mas fui censurado. Talvez o publique em 2010 com recursos próprios. Ele se chama O DESGASTE DO TEMPO NOS DENTES, e fala dos nossos dias sem chances. Vejam vocês, censurado...eu? Quem me acompanha sabe que não exalo nenhum risco à sociedade. Bom, além dos leitores do Brasil, ainda conto com a leitura de muita gente de fora, como Portugal, que tá sempre na área, EUA, que também marca uma presença constante, França, Rumânia, Espanha, Venezuela, Itália e Alemanha. Eu acho que o povo do exterior tá ligado porque eu tenho uma amiga aqui que é adepta ao Couch Surfing, a Grazi Camilo, uma puta de uma atriz da Cia. do Lavrado e que já tá de passagem comprada pra fora do extremo norte, que merda, né, tamos na merda! Ela divulga o meu blog na página dela. Agora, vamos deixar de conversinha fiada e mergulhar na produção!
Beijocas a todos!!!




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LUA CHEIA



- você lembra da época em que ficávamos de bobeira paquerando a lua?
- como é que eu poderia me esquecer de uma maluquice dessa? você vivia dizendo que ela tava afim da gente...
- eu queria te comer e você fazia muito jogo duro na época.
- sei...
- é verdade, esse negócio de não trepar no primeiro encontro é uma babaquice desgraçada. meninas...
- babaquice é essa história de brochar no primeiro encontro. garotos...
- vamos voltar pra lua?






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NÃO DESLIGO NEM DORMINDO...

E chegou mais um final de semestre na UFRR. Hoje entrego meu último trabalho, Português VIII e depois fico livre, férias! Consegui finalizar as três disciplinas e acredito que vou passar. Ano que vem, o bicho vai pegar legal. Preciso pegar umas seis disciplinas, é que tô atrasado e se eu bobear acabo ficando mais tempo na Federal do que imaginei. Não tenho sido um aluno exemplar, na verdade eu nunca fui. Desde a época do primário eu nunca gostei muito de estudar. Aproveitava mais era na hora do intervalo, na hora da entrada e saída e nas horas que ganhei matando um monte de aulas, às vezes pra jogar bolinha de gude na terra batida atrás da escola, outras vezes atracado em alguma boca gostosa dentro do terreno baldio do lado, e muito tempo depois consumindo muita porcaria pra escapar de uma realidade qualquer. Nunca tive um sonho de estudante, sabem, nunca desejei ser alguma coisa, seguir alguma profissão. Não tive esses anseios pra me direcionar pra qualquer porra nessa vida. Foi tudo por acaso. Assim como fazer teatro veio do nada, como vir pra Roraima não teve nada de planejado, assim como escrever, me deixo levar e aposto no que vai dar. Já até tentei ser diferente, mas não acredito na mudança. As pessoas não mudam. O mundo não muda. Nada muda, meu caro leitor, as coisas apenas se mascaram, mas na primeira oportunidade tudo volta a ser como sempre foi. O grande lance é aprender a se amar. Insisto nisso o tempo todo e confesso que é o que me alivia e me permite não chutar o balde de vez. Na próxima sexta tem encerramento na federal de uma das turmas, no sábado, talvez role uma festinha com outra turma e então, vou fazer as malas e desligar total. Olha a contradição aí, lembra que eu disse que as coisas não mudam? Então, tudo balela, eu não desligo nem dormindo... mas vamos ver no que isso vai dar.




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HEINER MULLER



1 - posso pôr meu coração a seus pés.
2 - se não sujar o meu chão.
1 - meu coração é puro.
2 - é o que veremos.
1 - eu não consigo tirar (chora).
2 - calma. pra quê que eu tenho um canivete. trabalhar e não desesperar. pronto, aqui está. mas é um tijolo. seu coração é um tijolo.
1 - mas ele só bate por você





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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

BEM PRÓXIMOS DOS CINCO ANOS!


Adrya Mayara e Marcelo Perez
Foto: Tatiana Sodré


Ontem foi a última apresentação de Absurdópolis, que nos perdoe Aristófanes. A roda mais uma vez ficou lotada. A população em geral curte muito teatro, é uma pena que o poder público não se importe com isso, quero dizer, o poder público do estado de Roraima. É uma pena que o dinheiro, que é nosso, que é do povo, não chega nas nossas mãos. Mas em espírito natalino, vou deixar as críticas pro ano que vem, o importante mesmo é que ontem o público compareceu. Os amigos estavam lá. E a roda ficou lotada do início ao fim do espetáculo. Depois do espetáculo, ouvimos algumas críticas. É legal ouvirmos críticas sobre o nosso trabalho, sejam elas elogios, ou algumas sugestões, ou observações pertinentes que irão contribuir com o desenvolvimento artístico de todos nós. Sinto muita falta desse retorno. Nem sempre as pessoas estão afim de falar o que pensam, principalmente os artistas locais. Depois do espetáculo tava comentando na pizzaria que seria legal demais se pudéssemos debater a nossa contrução, o nosso processo de trabalho e o resultado daquele dia específico, pois não dá pra falarmos do todo, pois esse todo está sempre em intensa transformação. Eu sou muito tarado com esse negócio de teatro. Gosto de ficar falando toda hora, discutindo ideias, questionando e defendendo opiniões, eu fazia muito isso lá no Rio de Janeiro. O povo era tarado também pelo assunto e percebo o quanto eu cresci no meio daquelas discussões. Aqui é tudo mais complicado e pelo andar da carruagem, não vai mudar nunca!
Começamos o espetáculo às 20:40h, com a música de abertura, é o tempo certo pra que o povo perceba que tá rolando alguma coisa por ali e com isso, curiosos como são, acabam se aproximando e formando a roda. Com a roda formada, entram os ambulantes em cena, vendendo cargos públicos na saúde, educação, cultura, vendendo remédio superfaturado, licensas para incendiar o Lavrado, vendendo animais em extinção, enfim, começamos o espetáculo colocando o dedo na cara de todo mundo. É legal, pois muita gente ri, meio nervosa, outros tentam mudar de posição, é um puta de um incômodo. Não tem como não se identificar com o que falamos. Em seguida, entra Joana, a nossa Lisístrata do Lavrado, já entra revoltada com toda essa situação absurda, tudo muito parecido com o que vivemos aqui no estado, na região norte, sul, sudeste...enfim, o Brasil inteiro é um absurdo, não acham? E a peça continua, um a um vão chegando os outros personagens, e o clima é estabelecido. O público, ligado até o fim, não arredou o pé. Eu continuo achando que esse é o melhor termômetro da rua. Se não tiver legal, o povo se manda na hora. Foi divertido fazer. Estamos extremamente felizes com o ano de 2009, apesar de não termos grana, produzimos. Tem muita gente por aí que coloca dinheiro no bolso e não produz, a gente sabe como é, por isso e por dezenas de outras razões, o ano foi ótimo. Olha, a Cia. do Lavrado continua de pé, pagamos nossas contas, aluguel, internet, luz, site, apesar de toda a dificuldade que enfrentamos em fazer teatro em um estado que praticamente é ausente de incentivos pra quem produz cultura, produzimos um espetáculo com dinheiro do próprio bolso. Levamos ele pra Porto Velho, ganhamos mais um prêmio, o YAMIX, que mesmo com a ausência de alguns grupos locais, ganhamos sim, e comemoramos muito por isso. Conseguimos terminar nossa curta temporada, foram cinco apresentações, três em Boa Vista, uma em Pacaraima, fronteira com Venezuela e uma em Porto Velho, e um total estimado de mais de 2.500 pessoas. É isso, agora vamos descansar bastante em dezembro. Voltamos no início de janeiro com a corda toda, afinal de contas, em 2010 vamos comemorar cinco anos de existência e resistência!



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sábado, 28 de novembro de 2009

APENAS UM BLUES E UMA PAREDE PICHADA


FREEEu adoro isso aqui. Adoro o cheiro do spray, o barulho que ele faz quando eu o sacudo, o meu dedo dolorido de tanto apertar. Comecei a pichar muro com 15 anos. Primeiro pichei todo o meu quarto. Anos mais tarde, quando meu pai começou com a idéia de fazer meus quadros de bandeja passei a pichar os muros lá de casa. Adorava tomar café da manhã em família, só pra ouvir o coroa revoltado da vida. Ele pintava, e eu pichava. Era o maior barato. Tinha épocas que ele ficava vigiando pra tentar pegar o pichador. Eu sentia o maior prazer de chegar perto e perguntar – e aí, será que ele vem hoje? E então meu pai dizia, - se ele aparecer, eu o mato! Agressivo, não? Mas eu adorava. Uma vez, cheguei da escola e vi um quadro meu na lata de lixo da rua. Já tava todo manchado de cerveja. Só podia ser um recado, sabe, - aí, segue a tua obra. Apelou, Black. Fui no esconderijo das latas de tinta. Peguei dois sprays. Preto e vermelho sangue. Tava sozinha. Pichei todo o muro interno da casa. Fiz um monte de desenhos cheios de picas e bucetas, gente se pegando...
BLACK - Um Keith Haring desesperado vomitando todo o seu giz no buraco do metrô de NY...
FREE -... nem tanto, mas o suficiente pro meu pai quase bater o pino. Agora você entende porque eu não posso voltar mais pra lá? (faz referência ao desenho, mas Black não o vê) Tá vendo aqui? Eles acham que isso é maluquice! Quem são eles pra arriscarem definições de maluquice? Então quer dizer que louco é aquele que faz o que o outro é louco pra fazer e não faz? Sou louca sim, e daí?
(pausa)
BLACK (Black imita a sua mãe) Você é louca! Com essa idade, o que vão pensar da nossa família? Você estragou tudo! (pausa) Quando eu disse que tava grávida, minha mãe sentou a mão na minha cara.
(pausa. Free olha para a amiga).
FREEVocê não me disse isso.
BLACKNão queria que você ficasse preocupada. Ela insistia em saber quem era o pai. Repetia pra todo mundo em casa que eu precisava casar imediatamente. Meu pai sempre foi mais sossegado. Não sei o que era pior, as surras da minha mãe ou a ausência física, mesmo que violenta do meu pai. Foi interrogatório a noite toda. Os vizinhos apareceram lá em casa pra saber se estava tudo bem. Carniceiros... queriam arrancar a minha pele ainda viva, isso sim. Precisavam saber de todos os detalhes. Eu lá, no meio da sala. Sentada em uma cadeira com aquela platéia à minha frente. Minha mãe era a única que me rodeava, como um delegado desanimado de fim de carreira. Só ela não parava sossegada. Me rodeava e em seguida berrava querendo saber quem era o pai. E os vizinhos não saíam da porta de casa. Eu me descontrolei com todo aquela cena, corri pra janela e gritei pra todo mundo ouvir, - EU NÃO SOU MAIS VIRGEM! EU VOU TER UM FILHO SOLTEIRA! AGORA VOLTEM PRAS SUAS VIDAS MEDÍOCRES, SEUS FILHOS DA PUTA! Minha mãe me arrancou pelos cabelos e me colocou de volta na cadeira. Meu pai a chamou no canto e apenas sussurrou em seu ouvido. Ela resistiu, mas ele disse o nome dela uma única vez. Me colocaram pra dormir. Aí o resto da história você já conhece. Me tiraram da escola, não deixaram mais eu sair na rua sozinha, me proibiram até de usar o telefone lá de casa. Se não fosse você...
FREE Eu sabia que a barra tava pesada pra você, mas não sabia que rolava agressão física.
BLACK Mas agora já passou. E tem muito mais pra passar.
FREE O vinho tá acabando.
BLACK – E o nosso tempo também...





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VAMOS BRINCAR NA PRAÇA?

Hoje é o último dia de apresentação do espetáculo Absurdópolis, que nos perdoe Aristófanes. Texto meu e da Graziela Camilo. Esse é o meu primeiro texto escrito pra teatro de rua. Lembrei outro dia, que uma vez em São Paulo, em um encontro da Rede Brasileira de Teatro de Rua, o André, do Grupo Será O Benidito, quando anunciou que eu acabara de ganhar um prêmio de dramaturgia, falou pra todo mundo que eu prometi escrever meu próximo texto pra teatro de rua. Na verdade, ele é que me colocou nessa rabuda. Eu nem tinha pensado em escrever um texto pra rua. Acabou que escrevi. Não foi nem pensado, como já disse por aqui e no site da Cia. do Lavrado, o processo de montagem de Abusurdópolis pegou todo mundo desprevenido. Queríamos montar Lisístrata, de Aristófanes e quando nos tocamos, tava lá o texto escrito e completamente diferente do que havíamos planejado montar. Ficou bacana. Principalmente porque não planejamos tal situação. As coisas acontecem, sei lá, simplesmente acontecem. Quando eu não fico segurando a toalha, as coisas acontecem e sempre pra melhor. Minha vida sempre foi assim. Fazer teatro não era nenhum sonho de criança, entende? Fui ao ensaio de um grupo lá no SESC/Tijuca - RJ e acabei ficando. Não parei mais. Este mês vou encontrar alguns amigos da época de adolescência e cada um seguiu um caminho bem diferente do que eu podia imaginar. Planejar é muito bom, mas não posso pensar que é eficaz. Como disse antes, as coisas acontecem, simplesmente acontecem. Eu não me vejo fazendo outra coisa, quer dizer, até devo dar aulas de português ou literatura no futuro, pois estudo pra isso, mas o teatro vai estar sempre em minha vida. Não tem jeito. Tô louco pra chegar logo mais. Tô louco pra invadir a praça e brincar demais com meus amigos. Não tem idade, não tem hora, não tem porra nenhuma, se eu tô me divertindo, tô feliz. Acho que nasci pra isso, me divertir... Tem coisa melhor nessa vida? Digo isso, porque tem vezes que tento levar a vida muito a sério. E sempre me dou mal. Se eu tivesse moral o bastante pra mandar um conselho pra alguém, eu diria isso, divirta-se o máximo que puder! Seja feliz sempre!


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sexta-feira, 27 de novembro de 2009

É COMPLETO?



- é daí que tão vendendo um gol?
- aqui mesmo, amigo...
- é completo?
- tem alarme, rádio, ar condicionado...
- mas é completo?
- meu amigo, a carroceria tá aqui, tem as quatro rodas, volante, motor, sei lá, mais completo que isso, só se eu colocar a Juliana Paes dentro dele, mas aí, eu acho que vai ficar mais caro...(cai a ligação).






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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

ABSURDÓPOLIS, QUE NOS PERDOE ARISTÓFANES

Graziela Camilo e Adrya Mayara
Foto: Michele Saraiva

Por Edgar Borges


*Sábado teatral*

*Cia. do Lavrado encena Absurdópolis, que nos Perdoe Aristófanes*


O grupo teatral Cia. do Lavrado vai novamente à Praça das Águas neste sábado (28) para mostrar o conflito gerado por guerras por poder e greves de sexo na cidade de Absurdópolis. O espetáculo começará às 20h, com acesso aberto e gratuito a todas as idades.
Absurdópolis é uma peça baseada na obra Lisístrata, de Aristófanes, dramaturgo grego que nasceu em Atenas em 457 a.C. O texto original, criado em 411 a.C., abordava uma guerra entre diversas cidades-estado. O conflito foi solucionado após as mulheres aderirem a uma greve de sexo liderada por Lisístrata. A idéia inicial foi mantida pela Cia. do Lavrado, que montou um argumento utilizando referências contemporâneas tanto nas situações como nos nomes das personagens.

Durante a peça, líderes Mutu-Hutu roubam pedaços do Manto Imantado do Monte Invertido, fonte de poder e instrumento da paz. Com isso o Kauz toma conta de toda Absurdópolis. A ganância pelo poder gerado pelos pedaços do Manto Imantado provoca uma corrida intensa atrás de mais pedaços. Joana, uma mulher comum, resolve então encabeçar uma greve de sexo, no que é seguida por todas as mulheres do país. Joana decreta que a greve só acabará quando todos os pedaços roubados do Manto Imantado do Monte Invertido forem devolvidos. A grande questão da peça é descobrir se os pedaços serão devolvidos ao topo do Monte Invertido e se a paz será restabelecida em toda Absurdópolis.

O texto do espetáculo é de Graziela Camilo e Marcelo Perez, que dividem a direção com Renato Barbosa. Todos entram em cena durante a peça para contracenar com Adrya Mayara, Ivan Andrade e Renildo Araújo. A montagem tem apoio do Centro de Cidadania Nós Existimos.



Entre os personanges da peça estão a abnegada Teresa (Adrya), inspirada em Madre Teresa de Calcutá; Olga (Renildo), uma alusão à militante Olga Benário; e Marinho (Ivan), sobrenome de uma influente família brasileira na área das telecomunicações. Todos integram lados diferentes no conflito existente em Absurdópolis, uma cidade imaginária que tem um pouco de qualquer lugar conhecido pelo espectador que passar pela Praça das Águas neste sábado.

*SOBRE A CIA* - Este é o quarto espetáculo de rua montado pela Cia. do Lavrado desde 2005, ano de sua criação. No total, são oito peças encenadas e diversas premiações. *A Farsa do Advogado Pathelin* (2006) e *A Retrete ou A Latrina* (2008) ganharam o prêmio Myriam Muniz de Teatro, concedido pela Funarte (Fundação Nacional de Artes). *Homens, Santos e Desertores*, também de 2008, conquistou o primeiro lugar no Yamix – Mostra Universitária de
Artes, promovida pela Universidade Estadual de Roraima. Em outubro deste ano, a Cia. do Lavrado conquistou novamente o primeiro lugar no II Yamix ao encenar *Absurdópolis*. A mais recente vitória do grupo foi o prêmio Myriam Muniz de Teatro 2009. Para conhecer mais sobre o grupo, basta acessar http://www.ciadolavrado.com.br/ e/ou seguir a turma no www.twitter.com/ciadolavrado .


*CONTATO PARA ENTREVISTAS: MARCELO PEREZ (9138-9481)*


Edgar Borges (95) 9111 - 4001


msn: edborges5@hotmail.com


Leia e comente o blog Crônicas da Fronteira: www.edgarb.blogspot.com
Leia e comente o blog do Coletivo Arteliteratura Caimbé:
http://literaturacaimbe.blogspot.com/


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