quarta-feira, 9 de julho de 2008

PENSEI EM VOCÊS

Hoje pensei nas pessoas. Em todas. Sei lá, nas que me vieram à cabeça. Foram muitas. Pensei em pessoas legais, que estão dentro. Topam qualquer parada, desde que se divirtam bastante. Lembrei também das que se preocupam com a opinião dos outros e são capazes de demonstrarem covardia na fala. Escancaradamente. Triste. Daquelas que são incapazes de romperem com aquilo que as incomoda. Aguardam que os outros resolvam o problema pra elas. Me questionei. Será que eu tenho covardia na fala ou eu caio dentro de qualquer jeito? Não sei, mas acredito que caio dentro. Tô vidrado no próximo espetáculo e já fico pensando nas coisas que preciso fazer. Emagrecer legal. Mudar mesmo, essa de camaleão, sabe? É uma outra vida pra viver. Isso que me move. O egocentrismo me provoca. Precisamos de mais gente fazendo teatro em Boa Vista. Mais experiências. Menos conversa afiada. Sei não...




APENAS UM SOM

Sentou-se na cadeira do barbeiro. Pediu a zero. Fechou os olhos e cochilou. O punk era a onda. Mudou seu guarda roupa. Jogou fora seus discos antigos. Sex Pistols mexeu muito com ele. Não aceitou a falta de aceitação da sociedade. Andou à margem. Não quis nem saber da opinião dos outros. Encontrou uns malucos parecidos na escola. Com a grana da venda de toca-fitas roubados, montaram uma banda. Ficaram na garagem por diversão. Apenas um som. Os vizinhos começaram a perturbação - os vizinhos só servem pra isso. Uma noite, o vizinho militar invadiu a garagem. Eles estavam para lá de Marte. Um choque. Levou uma surra de guitarra. Saiu ensangüentado. Sem palavras. Voltou com o batalhão todo. O bicho pegou legal. A banda foi metralhada às duas da tarde. Um massacre adorado nas páginas dos jornais. Bode expiatório de uma mídia manipulada pelo capitalismo. Esconderijo de escândalos. A casa nunca mais foi alugada, virou atração turística.





A NORMAL

Desabotoe minha calça
Eu não tenho mais forças
Não tenho mais forças
Complete o copo e me dê na boca
Me dê na boca até a última gota
Não lembro teu gosto
Não sinto meu corpo
Nem sei mais o que devo pensar
Não penso em mais nada
Tô entregue ao que der e vier, baby
Tô entregue
Sem vontade, obedeço
O caminho, desconheço
Não ligo pras voltas
As idas me deixam excitado demais
Arranque minha calça, baby
Sou um pedaço de carne exposto
Sou a prova
Seu prato principal
Estou sobre a mesa
Sobremesa indigesta
Um amante silencioso
Normal
A normal




domingo, 6 de julho de 2008

DIA DE PAGAMENTO

Entrou no banco muito nervoso. Dia de pagamento sempre o deixava assim. Não gostava de pagar suas contas no caixa eletrônico, pois sempre se atrapalhava e acabava arrumando alguma confusão. Eram sempre muitas contas e o povo nunca tinha paciência com ele. Enfrentou a fila com Kerouac nas mãos. Adiantou a leitura. Nem percebeu o tempo passar. Aliás, nem percebeu que saiu do lugar. Assustou-se quando chegou sua vez. Aguardou. O caixa dos idosos e gestantes ficou vazio. Esperou. As pessoas da fila começaram a falar com ele.
- Tá vazio, ninguém vai não?
- Olha aqui, rapaz, tá livre.
Sentiu-se acuado e acabou cedendo à pressão. Retirou de dentro de sua bolsa um maço de contas, umas dez, todas com vencimento para aquele dia. E deu início ao pagamento. Enfiou o cartão e a máquina não o reconheceu. Não entendeu o motivo e enfiou novamente. Nada. A máquina parecia não querer trabalhar mais. Deu uma olhada para trás e viu uma fila imensa de idosos e gestantes enfurecidas. Caras nada amigáveis. Tremeu. Quase quebrou o cartão ao enfiar novamente. Conseguiu. Pagou, pagou, pagou... e ouviu um monte.
- Deviam colocar um cartaz maior aí na máquina...
- É mesmo, esse pessoal não respeita mesmo!
Ouviu muitas reclamações e ainda tentou argumentar.
- Foi mal, é que chegou minha vez e como o caixa tava vazio, eu entrei.
- Não interessa, esse caixa não é pra você! Berrou um velhinho irritado com cara de militar reformado. E foi a gota d'água. A multidão foi covarde. Esperou que o primeiro se manifestasse. E foi assim. Todos gritaram. O banco inteiro olhou em sua direção. Faltavam cinco contas para pagar ainda. A máquina mais uma vez rejeitava o seu cartão. Ele perdeu a paciência, virou para a fila e berrou.
- porra, vocês queriam que o caixa ficasse vazio, esperando que vocês se rastejassem até o banco com suas bengalas tortas e barrigas pesadas?
Disse isso com profunda honestidade. Uma frase só ouvida em seus pensamentos. Nem percebeu de onde veio o primeiro dos milhares de socos que levou.



CIA. DO LAVRADO NA ESTRADA

Agora é pra valer. Vamos preparar as malas pra Rondônia. A Cia. do Lavrado foi convidada a participar do Festival de Teatro de Rua Amazônia Encena. Vai ser muito foda. Grupos de teatro de rua de vários estados do país, muita oficina, trocas de experiências, enfim, estaremos voltando do interior de Roraima (faremos os municípios de Rorainópolis, São João da Baliza e Iracema) e no outro dia já estaremos voando pra Porto Velho. Uma semana de muito teatro e aprendizagem. Vamos encerrar a temporada com chave de ouro! É isso.





sábado, 5 de julho de 2008

PELO ZICO

- Vai deixar no futebol, é?
- Fluminense e LDU.
- Não curto essa porra...
- Mas o povo aqui gosta...
- Coloca um Rock baixinho na outra tv...
- Não dá, só tem tricolor aqui.
- (alterado) Que se foda!
- Fala baixo! Tu deve ser flamenguista...
- Não dá pra esconder o passado de títulos, certo?
- Tu é maluco?
- Cara, quem viu Zico jogar no Maracanã lotado, devia ter alguns direitos, concorda?
- Zico?! Eu nem era nascido. Isso é muita onda...
- Então, alguma credencial eu tenho por aqui, me entende agora? Vai lá e bota um rock baixinho na outra tv. (grita) Tá esperando o que, meu filho?





quinta-feira, 3 de julho de 2008

A CULPA FOI DO CAZUZA

Sou muito ligado em música. Queria aprender a tocar algum instrumento, mas ainda não dei prioridade pra isso. Toco gaita. Quer dizer, só faço o som ensaiado, não improviso porra nenhuma. Toco vários instrumentos de percussão na Cia. do Lavrado, mas não domino nenhum deles. Tem uns amigos aí que tão marcando umas aulas de violão, com o Amador, amigo nosso. Acho que vou entrar nessa. Quando acordo pela manhã ligo logo o som. A música tem um papel fundamental na minha vida. Tô enrolando pra contar que uma vez eu terminei uma relação por causa da letra de uma música. É isso.
TE VER NÃO É MAIS TÃO BACANA QUANTO A SEMANA PASSADA, a culpa toda foi do Cazuza. Eu tava em Ipanema, bebendo só. Pouca gente circulava pelos traillers. Tava frio pra caramba. Alguém pediu essa música no videokê. Mas nem cantou. Acredito que pelo respeito ao Cazuza. A ficha caiu. Paguei a conta. Peguei um ônibus lotado até o Catete. Toquei seu interfone e apenas reproduzi a bendita frase. Ela chorou muito. Eu também. Não pelo término da relação, mas da forma como tudo aconteceu, porra, a frase de uma música? Não teve volta. Caminhei até a Praia de Botafogo e fiquei por lá, no sereno, tomando conta da Urca e fumando um cigarro.



TAREFAS DOMÉSTICAS


Entrou no banheiro do bar para falar sossegado com sua mulher, ao celular. Havia deixado uma cerveja na geladeira para ela. Um incentivo à sua parte na faxina. Estava preocupado com as mensagens não respondidas. Uma cerveja bastava. Ficava louca de pedra. Tem pessoas que são assim.
- Oi.
- E aí...
- Cê tá legal?
- Trank's.
- Hiii... tá louca.
- Olha, se tu desorganizar essa casa eu peço divórcio, viu?
- Também te amo, meu amor.




CONVERSA DE CELULAR



- Tô ficando colocado...
- O quê?
- Bebaço...
- Ah...
- E tu?
- Tô na terceira dose de uísque. Aquela cerva já foi...
- Vamos trepar quando eu chegar?
- Já tô com a perna escancarada...




VAI TER ATÉ MARCELO NOVA...


E repassando novamente...


Tudo pronto para o IV Roraima Sesc Fest Rock

Já está tudo pronto para o maior festival de rock que Roraima já viu. A programação do IV Roraima Sesc Fest Rock já está definida e o evento, que acontece nos dias 11, 12 e 13 de julho, no Ginásio Poliesportivo do Centro de Atividades Sesc, no Mecejana, promete sacudir a galera que curte o bom e velho rock na roll.

Além de 15 banda locais, também vão tocar nesta edição três bandas convidadas da região Norte: duas de Manaus-AM e uma de Rio Branco-AC. As atrações nacionais já estão confirmadas: Forgotten Boys, Marcelo Nova (ex-Camisa de Vênus) e a Dr. Sin.

"Este ano o festival vai dar um salto em tamanho, organização e de atrações. Pela primeira vez haverá a apresentação de artistas conhecidos nacionalmente fechando cada noite. Mesmo assim, o valor dos ingressos será bem acessível para os padrões das atrações convidadas, além de disponibilizar uma cota de ingressos solidários, mais baratos, aceitando alimentos não perecíveis, sendo todo alimento arrecadado revertido ao programa Mesa Brasil Sesc", afirma César Almeida, consultor musical do Sesc e organizador do evento.

Os ingressos estarão à venda antecipadamente e serão divulgados os locais de venda em breve.
HistóriaEm meados de 2004, algumas bandas da cidade de Boa Vista se reuniram para fazer uma festa e tocarem juntas no dia 13 de Julho para comemorar o dia Mundial do Rock. Como havia falta de locais apropriados na cidade para um evento destes, o Sesc Roraima ofereceu as instalações do Espaço Mullticultural para a celebração.Em uma noite com muita chuva, mais de 800 pessoas se aglomeraram dentro das dependências do Sesc Centro para ver as 11 bandas de rock da cidade, em uma noite que se tornaria histórica. Um numero que surpreendeu ate mesmo os mais otimistas.Depois dessa noite, o rock em Boa Vista saiu das garagens e dos quartinhos de fundo de quintal para ganhar as ruas, casas noturnas, praças, e qualquer outro lugar onde houvesse uma tomada para ligar um amplificador velho e fazer música.

No início de 2005, o Sesc em parceria com os membros das principais bandas de rock da cidade, concebeu seu festival anual de Rock. Começava a nascer o Roraima Sesc Fest Rock.

Programação:
Dia 11 de Julho – sexta-feira
21h - HCL
21h40 - Belinni
22h20 - Sheep
23h - Somero
23h40 - Mezatrio (AM)
00h20 - Mr. Jungle
01h - Forgotten Boys
Dia 12 de Julho – sábado
21h - Alt F4
21h40 - Arroto do Sapo
22h20 - A Coisa
23h - Iekoana
23h40 - Filomedusa (AC)
00h20 - Veludo Branco
01h - Marcelo Nova
Dia 13 de Julho – domingo
19h - Temerus
19h40 - ST Seven
20h20 - Several Bulldogs
21h - Klethus
21h40 - Nekrost (AM)
22h30 - Dr. Sin

Mais informações no site oficial do evento http://www.sescfestrock.com/, ou pelos telefones 3621-3947 e 8116-1187.

Gilvan Costa
Assessor de Comunicação do Sesc Roraima
(95) 3621-3937 / 9971-8132 / 9972-9220



DANÇA NO SESC


Mais uma vez repassando...


Circuito Amazônia das Artes traz grupo de Tocantins

A Casulo Cia. de Dança, de Palmas-TO, é a atração da próxima etapa do Circuito Amazônia das Artes, desenvolvido pelo Sesc na região. O grupo apresenta o espetáculo Por Entre Vãos, no dia 04 de julho (sexta-feira), às 20h, no Espaço Multicultural Sesc Centro.

O ingresso custa apenas um quilo de alimento não-perecível, que pode ser adquirido antecipadamente na recepção do Sesc Cento. Os alimentos recolhidos serão revertidos para o programa Mesa Brasil Sesc Roraima.

Idealizado e dirigido por Daniela Perez, o espetáculo foi premiado com o Edital Municipal de Incentivo a Cultura Palmas pra Cultura e é resultado de seis anos de pesquisa corporal da bailarina, com a parceria de Dennis Rodrigues no elenco. Ambos são coreógrafos da Cia. de Ballet Municipal. O espetáculo tem duração de 40 minutos e classificação livre.

Por entre Vãos fundamenta-se na Teoria de Movimento de Rudolf Von Laban (percussor da dança moderna e das vertentes dança-teatro e dança educativa). Tem em seu título uma alusão poética sobre as relações corpo-espaço. O corpo, que é o espaço cênico ao mesmo tempo que o preenche. O corpo como um lugar para a dança e a dança como um lugar para o corpo e para as relações entre os indivíduos, comunica de forma poética apresentando frestas, brechas e vãos de livre interpretação simbólica.

O trabalho tem uma proposta inovadora, repleta de estímulos sensoriais que envolvem e fomentam a interação com o público pelas imagens suscitadas e estruturadas em 5 cenas intercaladas por textos poéticos. Tem na cenografia, trilha sonora original (composta especialmente para o espetáculo, com intervenções executadas ao vivo pelo músico Heitor Oliveira) e na iluminação elementos e condições cênicas integradoras e essenciais na obra coreográfica.

Durante o espetáculo, bailarinos e músico compartilham o espaço cênico propondo uma reflexão sobre o papel do artista como criador-intérprete e imprimem uma identidade própria à obra, delineando novos modos de fazer dança com características de um trabalho autoral singular e inovador, onde o elenco e a platéia fazem parte da construção do espetáculo.

O elenco
Daniela Perez é graduada em Dança pela Faculdade Paulista de Artes (SP), pós-graduada em Psicologia Transpessoal com Abordagem Corporal pelo Instituto Serra da Portaria (GO) e Instrutora do Método Pilates pelo Physicalmind Institute - NY.

Dennis Rodrigues é bailarino e professor de ballet clássico, provisionado pelo Conselho de Educação Física de Brasília. Atuou como diretor de Ballet do SESI e da Meia-Ponta Cia. de Dança, coreografando recentemente em parceria com a bailarina Leidy Escobar.

Heitor Oliveira é clarinetista, compositor e regente, graduado em Regência pela Universidade de Brasília, mestre em Composição Musical pela Universidade Estadual do Texas. É professor de Linguagem e Estruturação Musical, além de Regente do Coral Municipal de Palmas.

Serviço:
Circuito Amazônia das Artes
Espetáculo:
Por Entre Vãos
Casulo Cia. de Dança
Concepção, Direção e Produção: Daniela Perez
Bailarinos-Criadores-Intérpretes: Dennis Rodrigues e Daniela Perez
Local: Espaço Multicultural Sesc CentroData/Hora: 04 de julho, 20h
Ingressos: um quilo de alimento não perecível
Gilvan Costa
Assessor de Comunicação do Sesc Roraima
(95) 3621-3937 / 9971-8132 / 9972-9220



TEATRO NO SESC

Ei, pessoal, só repassando a pauta enviada pelo Gilvan, do SESC.


Palco Giratório apresenta espetáculo O Sapato do meu Tio

Um olhar sensível e bem-humorado sobre convivência entre dois artistas nos bastidores dos espetáculos que apresentam em diversas cidades, quando o mais velho deles, o Tio, começa a ensinar sua arte para o sobrinho, revelando uma relação de poucas palavras, mas cheia de respeito, humor e, sobretudo, poesia. Esse é o mote central da peça O Sapato do Meu Tio, que será apresentado nos próximos dias 04 e 05 de julho em Roraima, dentro do projeto Palco Giratório, desenvolvido pelo Sesc em todo País.
A primeira apresentação do espetáculo que traz os atores Alexandre Luis Casali e Lúcio Tranchesi, sob a direção de João Lima, será no município de Iracema, no dia 04 de julho (sexta-feira), às 19h, no Centro Educacional Sesc Ler, com entrada franca.
No sábado, 05, a companhia se apresenta no Espaço Multicultural Sesc Centro, às 20h. O ingresso custa R$ 14,00, com meia-entrada para estudantes, comerciários e idosos.
O espetáculo marca os 20 anos de carreira do ator Lúcio Tranchesi e recebeu os prêmios de melhor espetáculo, melhor ator (Lúcio Tranchesi) e melhor diretor (João Lima) na edição 2005 do Prêmio Braskem de Teatro, a mais importante premiação do teatro baiano.
O Sapato do Meu Tio conta uma história atemporal, mostrando a convivência entre dois artistas nos bastidores dos espetáculos que apresentam em diversas cidades. O mais velho deles, o Tio (Lúcio Tranchesi), desiludido com o rumo de sua carreira, começa a ensinar sua arte para o sobrinho (Alexandre Luis Casali), revelando uma relação de poucas palavras, mas cheia de respeito, humor e, sobretudo, poesia. Entre sucessos e fracassos, os personagens apresentam uma verdadeira homenagem ao ofício do palhaço, onde temas como a passagem do tempo e a aprendizagem são explorados ora através do drama, ora da comédia.
A peça foi uma das vencedoras do Prêmio Estímulo à Montagem de Espetáculos de Médio Porte em 2005, no edital da Fundação Cultural do Estado da Bahia. A peça estreou em setembro de 2005 em Salvador, onde ficou por mais de um ano em temporadas ininterruptas por vários teatros da cidade. O projeto da montagem da peça surgiu quando os dois atores resolveram montar um espetáculo onde explorassem a técnica do "Clown" – ou do "Palhaço", como preferem classificar. Inicialmente a idéia era adaptar O Menor Quer Ser Tutor, texto de Peter Handke que em 1990 ganhou em Salvador uma elogiada montagem dirigida por Ewald Hackler, com os atores Paulo Pereira e Lúcio Tranchesi no elenco. A partir de leituras e improvisações, optou-se por escrever outro texto, onde alguns elementos do texto de Handke fossem preservados.
"No meio desse processo a gente achou que Handke tinha uma proposta lingüística e metodológica que poderia acabar se perdendo", afirma Alexandre, lembrando que muitos aspectos da obra do autor austríaco continuaram sendo exploradas em O Sapato do Meu Tio. Sendo assim, o público entrará em contato com questões referentes a rituais de aprendizagem, linguagem não-verbal, seqüências cronológicas não definidas e passagem do tempo, tudo enriquecido com um longo processo de ensaios recheado de improvisações e de esquetes clássicos do mundo do circo.
Serviço:
Projeto Palco Giratório
Espetáculo: O Sapato do Meu Tio
Cia. do meu Tio (Salvador-BA)
Texto/e Atuação: Alexandre Luís Casali e Lúcio Tranchesi
Direção: João Lima
Com: Lúcio Tranchesi e Alexandre Luís Casali
Produção: Selma Santos
Local: Espaço Multicultural Sesc Centro
Data/Hora: 05 de julho, 20h.
Ingressos: R$ 14,00 (meia entrada para estudantes, comerciários e idosos)
Informações: (95) 3621-3947 e 9972-7210
Gilvan Costa
Assessor de Comunicação do Sesc Roraima
(95) 3621-3937 / 9971-8132 / 9972-9220




TRAMPO DURO

Hoje eu não quis voltar pra casa. Adoro minha casa. Mulher. Cachorros. E a nossa bagunça. Minha mulher resolveu arrumar o armário da cozinha. Eu sabia que se chegasse mais cedo, ela me escalaria para a faxina. Preferi a vodka. Fiquei no shopping. Mais vodkas. Antes, comprei um caderno e uma caneta na Ponto dez. Resolvi encarar o tempo com mais dignidade. Escrevi um monte. Cheguei em casa exausto. A minha mulher adormecia no sofá. Exausta fisicamente. Exausto mentalmente. Me encaixei nas suas costas e fiquei lá, ouvindo um clásico do rock , na sky, até de manhã.






DJAVAN É LEGAL

- Depois desse aí vai rolar o quê?
- Começou agora.
- Sacanagem!
- Os caras ali é que pediram...
- Djavan é legal. Mas só um pouquinho. Muito, fica a mesma coisa. Melado demais. Tem Sex Pistols?
- Não
- Imaginei...








PAPO DE GARÇON

- tenho certeza que não vai passar disso.
- o patrão só queria mesmo é que nós recolhêssemos mais mesas.
- é. Não precisava colocar essas aqui no canto.
- hoje tem pagode?
- sei lá. Acho que sim.
- pagode aqui não rola.
- é até covardia em plena quarta. O patrão tá contra a gente mesmo.
- lá na peixada é que é legal. O couvert é melhor. Sabia que os garçons tem 20% de cada mesa?
- sério?
- no duro. O couvert lá é cinco reais por pessoa...
- assim também é foda!
- mas sobra mais pra gente.
- pra mim? Eu não trabalho lá.
- não, eu sei, é só maneira de falar. O que eu fico puta mesmo é quando temos que servir as mesas de outros quiosques. Eu aho que deveríamos ganhar também. Afinal de contas, eu é que tô ralando.
- não adianta, é acordo entre os patrões.
- e só eles é quem ganham.
(pausa)
Ei, menina, vai lá que é a tua mesa!
(pausa)
- Essa garota não tem jeito, fica aqui falando mal dos outros e nem lembrou de limpar a mesa para o seu cliente.
- deixa eu apagar esse cigarro.
- vou voltar.
- eu também, é o último trago. Porra, tu fuma rápido demais.







quarta-feira, 2 de julho de 2008

FORTE APACHE

Desceu do ombro de seu pai e pulou no sofá. Voltou rápido para a saudosa brincadeira. Seus soldados, índios, munição e revólveres ainda estavam por lá. O pai desapareceu no banheiro. Não queria estar por perto quando a guerra começasse. Sua mãe se trancou na cozinha. As irmãs, acuadas, se esconderam no armário apertado, só para garantir. A região foi evacuada. Em poucos segundos a sala foi completamente destruída. Ou pelo menos grande parte. O menino era só sorriso. Não tinha hora para a guerra acabar. Enfim.



terça-feira, 1 de julho de 2008

GEORGE FARIAS NA UFRR

Nessa segunda eu bati um papo bacana com o cantor George Farias. Sorte que eu tava com um gravador e guardei tudo. Ele tá com um disco novo e nesta quarta vai rolar um som lá na UFRR. Apareçam por lá, no lanche do Anselmo, às 19h. Comprei o disco dele e o som é muito louco. Bom demais. Depois coloco aqui a entrevista que fiz. Por enquanto...
GEORGE FARIAS
UFRR
QUARTA-FEIRA - 19h.

Contato p/adquirir o cd: 9113-2333



SEM SUAS COISAS

Sentou-se à mesa e pediu uma caipivodka com bastante limão. Não tinha ninguém ao seu lado. Apenas dois garçons coçando o saco. Era cedo demais. Percebeu a ausência de sua bolsa. Estava só. Bukowsky e as músicas que mais gostava, tudo havia ficado dentro da bolsa, no carro. Não se animou em buscar. Bebeu sossegado. Não conseguia nem ouvir a conversa das mesas distantes. A vodka bateu. Fumava sem parar. Suou muito. A solidão imposta pela sua péssima escolha não lhe deu outra chance, virou para o rio. Barcos. Pescadores camuflados por entre a vasta vegetação da beira. Risos. Viu uma garrafa nas mãos de alguém. Pagou a conta. Desceu para debaixo da ponte e se juntou aos mendigos. Ouviu histórias. Bebeu. Fez rateio para outra. Chegou em casa às nove da noite. Sentou-se no computador e escreveu uma conto qualquer. Sabia que não tinha a habilidade de lembrar-se, então, sem outro caminho, precisava inventar alguma coisa. Escreveu até o amanhecer.





OSSOS DO OFÍCIO

Viu seu amigo com um frasco de comprimidos nas mãos. Encontrou a saída para as suas alucinações. Mandou três para dentro junto com uma dose dupla de uísque sem gelo. Acomodou-se no sofá. Precisava de um tempo. Não sairia do palco em menos de duas horas. O baterista não parava de falar. Nariz branco e os olhos exagerados. O baixista estava mole como uma esponja, mas nada o faria desistir do copo de vinho que agarrava nas mãos. O guitarrista estava japonês. Com toda essa força contrária, imaginou que alguém ali precisava estar sóbrio. Mas ele sabia que não chegaria nem perto disso. O show de abertura terminou. A produção escancarou a porta do camarim improvisado, bem ao lado das latas de lixo da calçada. Um lençol manchado, que pouco escondia o que acontecia do outro lado. Os quatro saíram se arrastando pelos cantos, um em cada direção. O público gritava e jogava latas de cervejas no palco. O baixista ajoelhou-se devagar e sacou uma latinha. Esvaziou ali mesmo. Foi segurado pelo baterista, que já estava muito louco e caiu pelo chão. A platéia vibrou com tudo aquilo. O guitarrista estendeu suas mãos e não freiou o restante do corpo. Trombou com os dois e ficou por lá. O cara, diante de toda aquela situação, não teve outra escolha. Sentou-se no chão, ligou o microfone e levou um blues à capela. O show havia começado.



HÁ MUITO NÃO SAI DE NOSSAS CABEÇAS

Deixou o marido na porta de casa e se mandou. Dirigiu com o rádio alto, não queria ouvir suas idéias. Tinha destino certo. Chegou no bairro e parou na porta dele. Um amigo que há muito não saía de sua cabeça. Não aguentou ficar com seu tesão enrustido e parada na porta, gritou o nome dele escandalosamente. Apareceu. Alcançou sua boca e grudou. O amigo ficou imóvel. Ela nem se desculpou.
- Tô péssima! Meu casamento acabou de vez, disse e imediatamente emplacou outro beijo. Ele continou sem ação. Sem palavras.
- Eu sei que parece esquisito, mas cara, eu não aguento mais te ver e não poder... falou e foi interrompida. Ele a puxou para dentro de casa, fechou a porta e a jogou no sofá barulhento de sua sala. Tirou a camisa, a bermuda e ficou nu. Ela arregalou os olhos. Não esperava aquela reação dele. Avançou no seu pau e o colocou dentro de sua boca. Ficou assim o suficiente para ele gozar aos gritos. Ela levantou-se. Ele ficou caído. Ela afastou-se, abriu a porta e saiu.
- Eu vou pedir pra voltar...pra ficar com você sem ter você, é melhor a apatia do meu marido, terminou e seguiu em frente. Ele não entendeu nada, mas desconfiou que a culpa era da vizinha ruiva que há muito não saía de sua cabeça.