sábado, 20 de dezembro de 2008

O QUE CRISTO TERIA DITO?



como é que a prática leva à perfeição se perfeição catolicamente falando é um desejo obssessivo inatingível?
o que Cristo teria dito?
vai pensando...








DEVAGAR TAMBÉM É PRESSA



não dá pra passar a vida toda contando as perdas
não posso me dar ao luxo de ostentar este tempo
o relógio marca outro horário
legitimado pela sociedade
mas em hipótese alguma tudo aquilo que cheire real







sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

JOGO RÁPIDO


Esse ano eu insisti muito com as pessoas sobre a importância que tem a ferramenta internet. Nos movimentos ela é essencial. E o Teatro é um movimento. Trabalhamos com cultura, não dá pra perdermos tempo. Não somos os tipos que usam cartas escritas à mão na sua comunicação com o que tá do outro lado. Isso a gente faz em cena. Fazer teatro é urgente. Um desejo urgente, quase fisiológico. Não posso pensar de outro jeito. Ou eu me conecto com o mundo o mais rápido possível, ou então eu vou fazer psicodrama medival em pleno 2009. Um realismo exagerado e completamente ultrapassado. Olha como a internet é foda de boa, eu nem preciso me alongar muito por aqui. Já escrevi o necessário, mais, seria muita pretensão da mina parte. Completamente ilustrativo. Demais.
Duplo sentido. Só isso.






2008 SE FOI...



Achei que tava acostumado com as supresas da vida. Mas me enganei. O pior que não sou marinheiro de primeira viagem. Por pior que fosse a minha situação, eu sempre alimentava obssessivamente a certeza da virada. Não se trata de questões filosóficas. É pura matemática. Se eu não atravessar a rua nunca passo pro outro lado. E é por aí. Não vou ficar de rodeios como faço todo fim de ano. Minha avaliação é a apreciação da minha liberdade.








quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

FIM DAS FICHAS




cada vez sem reação
é um soco no estômago
tudo isso sem o menor jeito pra entender
o esquisito é o inesperado
o acaso é programado
um instante sem noção
um grito
um pedido de socorro
incompreensão
um susto dentro de um monte de palavras desarrumadas
conferir a hora que acalmou dentro do peito
virar o copo até revelar o fundo
velar o desejo
castigar as vontades
esconder-se bem mais que meio-dia










terça-feira, 16 de dezembro de 2008

NO OLHO DO FURACÃO

eu escrevo o que eu não digo
o que eu não posso falar
porque não posso falar
eu rabisco os meus delitos
porque não posso berrar
não posso berrar mas escrevo sem parar
inquietantemente inquieto
sem nem pensar em enfeitar meu verso
sem parar sem berrar sem falar nem pensar
nem pensar em reprimir o pensamento
fortalecer
distante
no olho do furacão








O QUE NÃO FOI



o certo é que nada tá certo
o engano existe para nos desculpar
de tudo aquilo que não foi
e que nem tem tanto peso assim
o excesso de sofrimento pelo que não aconteceu
acabou por esconder uma derrapada que nunca aconteceu
e se aconteceu algo tão diferente e sem nexo algum
aconteceu
foda-se
vou viajar na realidade que nunca existiu
vou apostar as fichas na imagem que não chegou a ser construída
vou ficar à espreita
esperar o seu bote fatal








domingo, 14 de dezembro de 2008

QUE DIA É HOJE?

Esses dias esqueci o aniversário de meu pai.
Minha mãe me odiou.
Julgou toda uma vida em uma ridícula data.
Não é uma pessoa globalizada.
Dei um desconto.
O que mais me perturba nessa história
É a indiferença de meu pai cinco dias depois.
Aceitou as desculpas sem resmungar.
A dor sabe representar bem seu papel.








AO ACASO




por mais que se tente fingir os resultados da vida
nada se assemelha ao acaso
a surpresa de mais um dia
sem a menor noção do que irá acontecer
sempre o vácuo
o imenso buraco sem fim






UM SURTO



nos pés descalços e molhados de suor noturno
da sombra do abajur do lado
que é objeto e companhia
do solitário onanismo sem rosto
apenas mecanizado
um alívio na tempestade de desejos e tesões sem mágoas
um estalo bem dentro e bem forte
um espasmo descontrolado e sem nenhuma preocupação
mais um segundo se foi








OS RESTOS DO QUE NÃO EXISTIU

Nunca quis entrar em detalhes com os seus sentimentos, sempre ignorou a possibilidade de aproximação. Mas não podia imainar que as coisas fugissem ao controle. Acordou muito cedo para um domingo qualquer, preparou seu altar sagrado e acendeu 12 velas vermelhas. Não queria ter que fazer tudo novamente. Empurrou um café amargo e requentado. Beliscou um pedaço de pão. Agarrou sua garrafa. Só queria que o tempo passasse com mais dignidade. Refez toda a trajetória do pensamento equivocado e não sentiu culpa. A corda também pesa para o outro lado. Ficou tranquilo. A vida não o surpreendia mais. Ligou o computador na garagem. Escreveu sem parar. Riu sozinho da situação deturpada.








sábado, 13 de dezembro de 2008

O ANO QUEM VEM PROMETE



Caminhamos para a segunda quinzena de dezembro e amanhã a FETEARR fará uma reunião de avaliação de 2008 e planejamento de 2009. É muito importante começarmos o próximo ano sabendo o qu e virá pela frente. O ano de 2008 foi muito rico para a Federação de Teatro de Roraima, se eu não me engano tivemos uns oito espetáculos ao longo deste ano e tudo indica que em 2009 iremos ultrapassar esta marca. Para o estado de Roraima isto é muita coisa. O momento atual está favorável ao teatro. O poder público passa a se importar e até já investe mais do que em outros anos, as instituições e empresários locais também estão antenados de que alguma coisa diferente está acontecendo por aqui. A hora é essa e quem bobear vai ficar para trás. Acredito que o ano de 2009 vai ser um divisor de águas. Vai ser o ano em que as pessoas irão mais ao teatro em Roraima, vão falar mais de teatro por aqui e muita gente nova vai surgir no pedaço. Aposto nisso de verdade.






quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

ESCREVER É BOM PRA CARALHO.



Escrever é bom pra caralho. Algo com um gosto de pizza de calabresa no meio da fome nervosa, o cheiro do mato queimado, o calor do brasão, o brilho da noite nos olhos dos solitários, o grito estridente perfeito do recém-nascido na vala, o cogumelo no esterco molhado de orvalho do resto que não foi, a onda perfeita, o tubo cinematográfico, apoteótico, escrever não deve ser muito diferente disso. Um mergulho no vazio, um tsunami sem direção, um beijo clichê de novela, um estereótipo simpático, um assalto, o instante precedido da morte, mas nunca o final. Escrever é bom pra caralho.






domingo, 7 de dezembro de 2008

MUDA CONSELHO!



Meu caro jornalista Edersen Lima, não te conheço mas já sou seu fã. Muito boa a lista do conselhão. Não resisti e resolvi copiar e colar a mesma por aqui. Então, com a sua licença...


Lista do Conselhão
por Edersen Lima

Como prometido, a coluna publica lista do Conselhão Mamão (com açúcar), que há 12 anos promove a "tar de curtura" em Roraima. Cabe reconhecer que alguns membros até têm méritos, porém, 12 anos, já deu para dar a sua contribuição e agora deixar que as coisas se renovem. Já outros membros estão lá por puro apadrinhamento. Não têm noção da importância do setor:

LAUCIDES OLIVEIRA
- Nome inquestionável, pelo trabalho e contribuição à Cultura do estado, mas já podendo se aposentar, abrindo vaga para outros expoentes na área , com mais fôlego para atuar e intervir na produção cultural do estado; O Governo, por seus préstimos, deveria dar-lhe uma cadeira honorífica, deixando vaga para outro;
HELENA FIORETTI - Técnica de valorosos conhecimentos, única realmente na ativa e com projetos significativos na área cultural para o estado à frente do Museu Integrado. Conhece os mecanismos e todos os meandros da área de Cultura e o caminho das pedras, quando o assunto é buscar parcerias. Mas não divide seus conhecimentos e termina prejudicando o processo;
ANÍSIO FERNANDES - Artista-plástico de fim de semana e que nunca se firmou no mercado. Depois que entrou para o Conselho nunca mais pintou açlgo se se pussa chamar de arte. Não se conhece dele nenhum trabalho realmente significativo para a cultura do estado. Parece estar ali mais por ser o marido da Dra. Glair Menezes do que por mérito próprio.
ZIGOMAR MAIA - Outro artista que, depois que virou conselheiro fez do Conselho profissão e abandonou a música. Nunca mais se ouviu falar ou cantar ou compor. O Fêmur esteve aí nada do Zigo. Está mais do que na hora de ser substituído. Assim como ele, existem vários outros músicos que poderiam estar ali contribuindo;
AUGUSTO CARDOSO - Nome fulgurante nas artes plásticas de Roraima, além de conselheiro todo mês vende um ou dois quadros para o Governo. Faz o gênero em cima do muro e jamais opinaria de forma significativa em favor da Cultura, se isso fosse contra os seus mecenas. Se já articula no Governo por outros lados, poderia abrir mão da vaga para outro artista plástico.
MEIRE SARAIVA - Técnica do Departamento de Cultura há anos. Ao que se sabe, sua única credencial para estar no Conselho.
DALVA HONORATO - Da área da Educação, também das antigas. Dizem que também é música, mas nunca se ouviu ou se expressou publicamente ou, melhor dizendo, artisticamente.
WALNIRO SOUSA - Também artista plástico de antigos pincéis. Fez relativo sucesso e andou vivendo da arte até.... fazer do Conselhão, profissão. Nunca mais fez exposição nem se viu obra sua. Tem como respaldo capa preta na família.
SHIRLEY RODRIGUES - Jornalista cujo trabalho na área de cultura é um livro... sobre a cultura dos índios Pemons, da Venezuela! No mais, é outra em cima do muro ou sempre do lado mais forte. Usa a sua página para divulgar a cultura - mas isso é cultura? -. Este ano se notabilizou fazendo destacada campanha durante a campanha eleitoral contra a pedofilia no estado, assunto esse que ainda hoje bate com veemência. Poderia dar mais brilho ao Conselho Tutelar da Infância, lá deve ter jeton, também.







CHURRASCO NA SEDE DA CIA. DO LAVRADO

Tudo calmo. Ontem foi a última apresentação do espetáculo Homens, Santos e Desertores, de Mário Bortolotto. O público compareceu e foi uma apresentação tranquila. Para encerrar as atividades da Cia. do Lavrado, vamos fazer um churrasco lá na nossa sede. Um churrasco com faxina. Isso mesmo, vamos fazer uma faxina geral na nossa sala. Tá uma bagunça federal. Ainda não marcamos a data, mas depois coloco aqui e quem quiser aparecer pra ajudar na faxina e comer um churrasco, será muito bem vindo. É só levar um pedaço de carne e algo pra beber, lógico.







sábado, 6 de dezembro de 2008

ÚLTIMO DIA

Hoje é o último dia de apresentação do espetáculo Homens, Santos e Desertores, de Mário Bortolotto. Nem me lembro quantas apresentações nós fizemos, só sei que compramos os direitos de oito apresentações, mas acho que com essa de hoje chegaremos a nove. Acredito que o autor não ficará zangado se fizermos uma a mais do combinado. Não foi de propósito, nos atrapalhamos mesmo. Queremos muito apresentar de novo no próximo ano, mas ainda não fizemos contato com o autor, que é um cara de teatro, trabalha pra caralho e quase não tem tempo de trocar essas idéias. Mas faremos a proposta de realizarmos em 2009 mais oito apresentações. Se ele concordar, ganhamos todos.
Quem ainda não assistiu, apareça hoje às 20h no centro de Cidadania Nós Existimos. Eu estive em São Paulo e assisti a mesma montagem, mas com o autor em cena. Foi foda de boa. Os caras mandam muito bem, mas olha, nossa montagem não está igual, e nunca ficará, lógico, não é por nada não, mas o nosso trabalho tá bem legal. E vale a pena assistir. Vamos gravar hoje para mandar para o Mário Bortolotto. É por isso também que passamos das oito combinadas. É isso, apareçam.







sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

TÁ NA HORA DE MUDAR



Muito boa a sacada do jornalista do Fonte Brasil. Aquela turma precisa se mandar de lá o mais rápido possível. A cultura sofre com aquele time de incompetentes e desinformados.







terça-feira, 2 de dezembro de 2008

FALSOS MORALISTAS

Quando eu estava de partida pro Rio, recebi um telefonema do Departamento de Cultura, na verdade da consultoria da Secretaria de Educação. O cara disse que queria falar comigo sobre o meu projeto da peça de teatro. Eu mandei pra lei de incentivo do estado o texto Apenas um Blues e uma parede pichada. Pedi pra Tati visitar o cara e saber do que se tratava. Hoje fiquei sabendo que eles não querem aprovar o meu projeto. Até aí tudo bem, perguntei a razão e fui surpreendido com uma bomba. Eles sugeriram que eu mudasse o meu texto pra se adequar à eles. O cara disse que não iria ficar bem falar de droga nas escolas. Agora me diz, só porque a personagem conta a sua experiência com drogas e detalhe, ela não usa mais, eu vou ter que mudar o meu texto? No cú deles. Não aprova porra nenhuma então. Moralistas de merda, isso sim é que eles são. Já vi que esse texto vai dar o que falar em 2009. E sem motivo. Tem tanto adolescente usando e experimentando drogas nas escolas, que uma discussão como essa eu acho muito rica. Vejam bem, o texto não motiva em nenhum momento ao jovem usar drogas. E fala de suicídio. E daí? A molecada tá se matando mesmo! E a comunidade roraimense não tá nem aí pra essa tragédia. O índice de suicídio entre jovens em Roraima é o mais alto do Brasil. E eu tenho matéria da Folha de Boa Vista pra provar isso. Bom, o que eu vou esperar de uma sociedade em que até a classe artística é extremamente conservadora, o que dirá dos caras que avaliam os projetos. O Conselho de Cultura não tem ninguém do teatro. Nada contra idosos, mas tem gente lá que já devia estar em casa, na sombra e na rede. Tá na hora de exigirmos uma cadeira no Conselho de Cultura, uma cadeira pra um representante do teatro. Tá na hora de abrir a mente desse povo. O que me deixa feliz e tranquilo é que esse texto mesmo sem a lei de incentivo do estado vai entrar em cartaz em 2009. A grana já existe, afinal esse mesmo projeto ganhou um prêmio da FUNARTE - Fundação Nacional de Artes e é até engraçado, o prêmio veio de fora do estado. Com certeza esses caras que avaliam projetos em Roraima estão completamente por fora do que acontece no resto do Brasil. Às vezes, Roraima parece até LOST. A diferença é que na série LOST não existe internet na praia.






SAUDADES


Ontem fui visitar a minha escola de teatro. Para a minha sorte estava rolando um espetáculo de término de período. Assisti A GAIVOTA, de Anton Tchekhov. Gostei muito do que vi. Pude perceber que a CAL, Casa das Artes de Laranjeiras, ainda é um dos melhores lugares para se aprender teatro. Vem gente do Brasil todo pra estudar lá. Queria ter tirado umas fotos, aliás, eu fui na escola com esta intenção, não tinha nem passado pela minha cabeça que haveria um espetáculo para eu assistir. Acabei que esqueci a máquina e de lambuja ganhei um puta espetáculo.
Hoje fui almoçar com um grande amigo, Paulo César de Oliveira, em Ipanema. O cara simplesmente é uma referência na minha vida profissional. Ele e uma outra diretora, Ticiana Studart, foram na verdade as pessoas que eu consegui fazer uma leitura simples do teatro que eu queria fazer. Se hoje eu busco viver de teatro todos os santos dias, foi graças a presença desses dois profissionais que eu tive a certeza do que eu iria fazer pro resto da minha vida.
Depois fui à praia. Ano passado peguei só chuva no Rio e este ano dei mais sorte. Hoje fez um baita de um sol e consegui dar um mergulho no fim do dia. Bom, agora vou ao cinema. Amanhã bem cedo eu embarco de volta e quero aproveitar a Cidade Maravilhosa até o último instante. Mas quer saber? Não tenho a menor vontade de voltar a morar no Rio. O Rio é lindo, mas Boa Vista é foda de bom.






segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

TEATRO DO OPRIMIDO



Nos dias 28, 29 e 30/11 a Cia. do Lavrado esteve presente no Centro de Teatro do Oprimido, no Rio de Janeiro. Os atores Marcelo Perez e Renildo Araújo participaram do Módulo I da oficina que é ministrada pelos Curingas do CTO-RIO. Foram três dias de experimentações, vivências e muitas trocas riquíssimas para o teatro de Roraima.

O formato da oficina proporcionou aos atores da Cia. do Lavrado participarem do processo de montagem de uma cena de Teatro Fórum, uma das técnicas do Teatro do Oprimido, em que o público diante de um conflito real tem a oportunidade de sugerir alternativas para a resolução do conflito. O espect-ator, como eles chamam, sai da condição de platéia e passa a experimentar em cena o que mais tarde pode ser utilizado na vida real.

A Cia. do Lavrado desde 2006 experimenta as técnicas criadas pelo teatrólogo Augusto Boal, criador do teatro do Oprimido, no seu trabalho de prevenção às DST/HIV/AIds. O espetáculo Quem disse que a decisão deve ser dele? é baseado nesta metodologia. Este espetáculo já foi apresentado nas penitenciárias masculina e feminina, postos de saúde, instituições de ensino, abrigos, projetos sociais da prefeitura de Boa Vista, maternidade, hospitais, Faculdades, na UFRR e pelas ruas e praças de Boa Vista.

A idéia da Cia. do Lavrado é desenvolver cada vez mais esta linguagem dentro do seu trabalho de prevenção, por isso a ida de dois integrantes para a oficina do CTO-RIO. Sabemos das dificuldades encontradas no que diz respeito a capacitação na área de teatro em Boa Vista e acreditamos ser de extrema importância e urgência a participação de integrantes de grupos de teatro em oficinas fora do estado de Roraima.


CTO - RIO / TEATRO DO OPRIMIDO
Tel: 021 2232 - 5826