sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

PELO MENOS ISSO...

embora penso ao contrário
nem sei bem porque penso assim
minha certeza vacila
dúvida sagaz que insiste
diversidade
maluquice
Darwinismo socialista
impossível
o contrário do que penso
é um pensamento
sem receitas de bolo
sem presenças
por extenso
puro
intenso
cem tentativas
não é não
a vida como no jogo do bicho
vale o escrito
e a máxima
penso
logo existo
sobrevive mais um eternidade
pelo menos isso...









FIM DE SEMANA EM BOA VISTA

BANDA GUY-BRAS
FOTO: Gilvan Costa

Hoje tem show de humor na cidade. Vejam bem, não é teatro, é show de humor. O Chico Anysio é foda e com certeza estarei lá. Todos os programas dele que eu tive a oportunidade de assistir eram ótimos. Pena que o cara não tá na TV. Assisti a uma entrevista dele na semana passada e o próprio cara disse que não faz teatro e que é um artista de televisão. Falou com muito orgulho da sua passagem nas rádios e a TV com certeza é a sua casa. Não vou perder essa. Tomara que seja um show memorável, apesar de ser no CTG.



Agora, amanhã tem show da banda de reggae Guy-Bras ( ei, Mike, é assim que se escreve, né?), do nosso amigo Mike. O cara é um guerreiro. Tive com ele essa semana, uma humildade. Dá pra ver nos olhos dele o amor pela música, pelo reggae. Quem puder ir com certeza irá se divertir e muito. Vai ser lá na Esquina Cultural, que fica na esquina da Av. Ene Garcez com a Av. Terêncio Lima. O espaço é do Evandro, que é outro importante fomentador da cultura por aqui. Bom, só de manter aquela casa já é uma vitória. Vou lá também e já tem um monte de amigos que me falaram que vão. Essa será a boa de amanhã, sábado, 07/02, às 21h. É isso, aposto nessas programações para o final de semana. Até lá.













quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

GENTE NOVA NO PEDAÇO!

Hoje tivemos uma ótima surpresa no ensaio da Cia. do Lavrado. Finalmente uma das nossas convidadas resolveu aparecer. Fez a leitura. E a princípio, foi uma ótima leitura. Vamos torcer pra que volte. Digo isso porque é muito difícil encontrarmos alguém pra trabalhar conosco. Ensaiamos aos sábados e domingos. E quando passamos o cronograma, a pessoa sempre desaparece. As pessoas querem muito fazer teatro, mas se assustam com o nosso cronograma. Essa pessoa se mostrou disposta a participar. Não vou citar o nome porque ainda é muito cedo. Eu já a conheço faz um bom tempo. E posso dizer que é uma pessoa do bem. É isso, não vou me alongar. Vamos apostar essa ficha. Mas se ela ficar, será mais um ganho importante pra Cia. do Lavrado. Vamos em frente.









quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

SOCORRO!


Apesar da foto não estar muito boa, esse prédio aí fica na Orla, em Boa Vista. É um local turístico daqui. Acreditem ou não, mas esse é um dos Pontos de Cultura da Prefeitura. Completamente deserto, sem nenhuma atividade cultural. Fechado. A Prefeitura de Boa Vista tem mais nove pontos desse naipe. A grana? Olha, a grana já tá por aqui, mas ação na área da cultura a Prefeitura tá devendo mesmo. E faz tempo. Por aqui as coisas são assim, ou talvez não seja só por aqui. Veja o caso da TV Roraima que tem anunciado na tv o show do Chico Anysio e sempre ao término da chamada ela tem a cara-de-pau de dizer que a Rede Globo e a TV Roraima apoiam o teatro em Roraima. Mentira! Por lei eles deveriam criar chamadas todas as vezes que uma peça entrasse em cartaz em Boa Vista, gratuitamente, mas quando solicitamos tal chamada eles sempre nos enfiam um monte de cifrões na cara. Só se tiver real! Quando muito anunciam a peça na tal da agenda. Nem mesmo entrevista no programa do meio-dia no dia da estréia os caras cedem. E tem a coragem de dizer que apoiam o teatro local...e Chico Anysio nem é teatro, porra, e muito menos é local! Esse espaço de divulgação já existe e eles se negam a nos ceder. Outro dia me pediram pra dar uma declaração pelo aniversário da TV Roraima, cara, eu vou falar o quê? Não fazem nada pelo teatro de Roraima. Desejei vida longa pra ela. E só. A mesma coisa são os Pontos de Cultura. Ninguém recebe notícia e muito menos assistimos a alguma ação dos pontos, principalmente os da Prefeitura. A oficina de teatro da prefeitura, que também é ponto, nem existe mais. Mas o dinheiro tá por aí. É isso, os grupos de teatro do estado de Roraima precisam cortar um dobrado, matar um leão por dia, assoviamos e chupamos cana ao mesmo tempo, saca? Chamamos urubu de meu louro e tudo! Isso pra não falar do estado que lançou um edital de R$ 20.000,00 e até agora não temos notícia dele. Todo mundo gastou uma grana pra aprontar os projetos. É uma falta de respeito com o artista local e com a população. Estão empurrando com a barriga... Enfim, o retrato do apoio do poder público à cultura em Roraima é a mesma imagem da foto acima. É uma pena. Temos tanta coisa bacana pra mostrar... Isso pra não entrar de novo no assunto dos meus textos que foram censurados na maior cara dura, por um bando de incompetentes que não entendem nada de cultura e não fazem nada pela cultura local. Mas isso eu já falei por aqui. Já deu.



















terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Deus ou deus?


Assisti uma entrevista da Dercy Gonçalves, de 1998. Minha avó era muito fã dela. Sempre que vejo a Dercy lembro de minha avó. Dizem que a Dercy era transgressora. Minha avó repetia muito isso, mas com outras palavras. Porra nenhuma. Peguei a entrevista na hora que ela falava sobre Deus. Ela disse que não acreditava em Deus. Passou por diversas religiões e um dia resolveu acreditar só no que ela pensava. Insistiu em afirmar que a maioria das pessoas em suas religiões nem sequer questionam sua crença. Precisam acreditar em algo. Tem preguiça de pensar. E esse negócio de pensamento é foda mesmo. Quem disse que a maioria tem razão? Toda unanimidade é burra, já dizia Nelson Rodrigues, que nem sei qual era a sua crença. O fato é que essa história de pensamento é forte. Nos dias de hoje, quanto menos se pensar melhor. É o que nos prova a grande audiência da TV aberta. E a Dercy, mesmo morta, ainda tá com a bola toda. Que Deus é esse que tentam enfiar na nossa goela? Quer dizer então que o Deus que eu acredito é na verdade um deus? De merda? Só porque não tenho religião? Tá de sacanagem. É só andarmos à margem pra neguinho vir nos detonar. Nem peguei a entrevista toda, mas me identifiquei com o que ela disse. E ao contrário dos outros, que ela tanto recriminou, eu pensei sim, e quer saber? Continuo com a minha crença. Tenho um colega de trabalho que recebeu uma denúncia de um bando de crentes. Com relação ao barulho, que não é realizado depois das 22h. no seu estabelecimento. Que é um estabelecimento que agrega jovens e que se estes jovens não estivessem ali, não sei, acho que não é a praia deles, mas bem que poderiam estar roubando e estuprando esta família de crentes. Esse papo de Deus deve ser a maior piada lá não sei onde. É, porque nem sabemos se realmente existe Deus. Acredito porque outros pensaram assim antes de mim. Aprendi assim. Gosto de pensar desse jeito. Continuo com o Deus, ou no deus que eu bem entender. Desde que ele seja bondoso e que eu possa elencar diversos adjetivos positivos ao seu bendito nome, tudo bem. Tô com a Dercy, que provavelmente já tem as suas respostas. É, a mulher já morreu. E se realmente existe ou não Deus, se realmente existe ou não inferno ou paraíso, só mesmo ela poderia nos responder. E a infinita lista dos que já se foram.












ENSAIOS

Hoje teremos surpresas no ensaio da Cia. do Lavrado. Como já disse, estamos precisando de atrizes. E nem adianta convidar de outros grupos, pois por aqui as pessoas se ofendem se fizermos isso. Mesmo se a atriz quiser e tiver disponibilidade, nem adianta que dá galho. Então estamos procurando e acredito que hoje apareçam por lá duas amigas nossas. Isso é o mais legal, são pessoas amigas e talvez com pouca ou quase nenhuma experiência em teatro. Mas não estamos nem aí. Precisamos de pessoas que estejam afim de encarar esta empreitada, não importa se nunca tenha feito teatro. O negócio é o seguinte, a pessoa chega, participa, demonstra interesse e quando menos percebemos já tá integrada. Não somos difíceis. Aconteceu assim com quase todo mundo que faz parte hoje. Até mesmo o músico que já tá conosco faz um tempo, nesse espetáculo ele vem como ator. E nunca fez isso na vida. É muito legal essa disponibilidade das pessoas. É isso, vamos ver se as duas topam essa parada. Torço que tudo dê certo.








segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

BARÃO VERMELHO

Vai sem gelo mesmo, o lance é o seguinte, moro em Roraima desde 2004. Março de 2004. Cheguei aqui desempregado. O contrário da maioria que já veio com trabalho certo. A primeira coisa que fiz foi uma oficina de teatro. A partir daí, montei a Cia. do Lavrado, junto com a Grazi, a Cora, o Erinaldo e o Kleber. Tinha o Felipe também. E o cara ajudou pra caralho. A Tati veio depois. O povo da oficina não pagava a mensalidade em dia. Eu ficava duro mesmo. As vezes recebia uma mensalidade e salvava o lanche na casa do Renatão, que me hospedou durante cinco ótimos meses. Como a grana tava foda, resolvi vender cordões de miçanga na praça. Vendi muito na festa junina daqui. Nos outros anos não vendi cordões, fui jurado. E remunerado. E mal remunerado. Foi tão bom que comprei o material e fiz mais. E vendi tudo. A Tati só veio bem depois. E ganhava muito mal na época também. Hoje as coisas mudaram. O teatro já paga as minhas contas, quer dizer, contribui juntinho ali, sabe? Consegui, junto de meus parceiros da Cia. do Lavrado, firmar o nosso nome nesta capital. Hoje, temos duas pessoas que ganham dinheiro na Cia. do Lavrado. Esse ano, acredito que mais duas pessoas vão ganhar bem mais dinheiro com teatro no nosso grupo. Quer dizer, somos um grupo em que todos ganham quando trabalham. O fato é que tem pessoas que trabalham mais. O DST/AIds é o responsável por isso. Nem todos no grupo se identificam com este assunto. Então, a Cia. do Lavrado, hoje, é auto-sustentável. É, ela paga o aluguel da sua sala, paga a intenet, que custa R$ 50,00 por mês e consegue até dar uma grana pro contador de vez em quando. Estamos em falta com ele. Cara, não sei, mas talvez seja esse o motivo de tanto ódio e inveja pela gente. Desde 2005, data de sua fundação, nós já montamos quatro espetáculos, dois premiados pela FUNARTE e mais, sei lá, acho que sete cenas, uma delas ganhou até R$ 75.000,00 para ser montada. Dentro de um projeto do Ministério da Saúde. Olha, se não for essa a razão de tanta inveja, ah! Lembrei agora que não temos nenhum integrante que nasceu no estado de Roraima. Pode ser isso também. Enfim, tava lendo umas cartas de Neal Cassady e me empolguei um pouco. Não sei, acredito que não estou nem na metade do caminho. Vou em frente. Aprendi assim. Por que eu estava falando isso mesmo? Deixa pra lá, já foi. Vou completar...








COMPLETA!

O fato é que gosto muito do que faço. Trabalho, como já disse, com pessoas que gosto pra caralho. Agora, tô de saco cheio de uma turminha aí, que se acha, e que não curte muito dividir informações. A vida é assim mesmo. De uma hora pra outra eu chuto o balde. Sempre fiz isso na minha vida. Antes eu até achava que era defeito meu. Mas hoje penso que não é não. Defesa? Talvez. Olha, tá na cara que sou um cara tranquilo. Eu sempre atraí pessoas invejosas. Não sei, mas acho que é o fato de eu pensar em fazer algo e realmente conseguir realizar. Sempre chamei a atenção de gente invejosa. A merda toda é que não tenho nada pra neguinho sentir inveja. Olha se a Turma do Tamanduá sentisse inveja de mim, aí eu tava realmente fudido. Porque os caras são foda! Agora, esse Zé Povinho que circula por aí...é outra história. Sei não, nem sei por que escrevo isso agora. Mas gosto da idéia do blog. Adoro escrever o que penso e sem dúvida alguma, tudo que escrevo não tenho a menor vontade de esconder. Falo o que penso, pra quem quiser. Sinto orgulho disso. Hoje acordei com a macaca. Não, não é a Tati, mas acordei com vontade de mandar neguinho se fuder hoje. Cara, faz tempo que descobri que posso tudo! Lógico, de acordo com as minhas possibilidades. Posso até me relacionar com pessoas que tô cagando pra elas... é isso, não tenho tempo a perder. E não vou perder meu tempo com coisas e pessoas insignificantes. Vou botar mais gelo....







quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

PÉROLAS DE CHACAL

pelos nossos rasantes na boca do mato

vista chinesa, praça do beija flor,

nossa igrejinha no jardim botânico.

nossos chilreios de soslaio

pelo jeito que você homeopaticamente

me manipula

pelo periscópio com que discretamente

te observo quando não te vejo

pelos nossos dias e noites amalgamados

nesse rio de janeiro

por todos os sonhos que sonhamos

pelo presente e pelo futuro que nos espera

vamos juntos !


Chacal







CARTA SEM FIM

FALO MESMO E NÃO QUERO NEM SABER DOS OUVIDOS
NÃO SOU REMÉDIO ALOPÁTICO
NEM MESMO ALGUMA DROGA ILÍCITA
FODA-SE SEU RACIOCÍNIO LENTO
QUE NÃO ME AGUENTA
FODA-SE SUA DIDÁTICA SEM PRÁTICA
QUE INSISTE E PERSISTE EM PRODUZIR MONTES DE MERDA
CAGUEI COMPLETAMENTE PRA SUAS VONTADES
NEM QUERO SABER PRA QUE DIREÇÃO VOCÊ ANDA
SEU TEATRO É MASCARADO
QUE ME PERDOEM AS MÁSCARAS
MULHER FRUSTRADA
SUAS IDÉIAS NÃO TEM A FORÇA DE UM VÔMITO
SUAS IDÉIAS SÃO FRASES REPETIDAS E REPENSADAS
VOCÊ NÃO TÁ COM NADA
SUA TURMA É A MAIOR FURADA
O CAMINHO QUE ESCOLHEU JÁ FUGI DA ESTRADA
E NEM ADIANTA INVENTAR APELIDOS
E MENTIRAS SOBRE ALGO TÃO DISTANTE
DE SUA REALIDADE
NÃO NECESSITO DE SUA APROVAÇÃO
MEUS ENSAIOS PODEM SER COPIADOS
AFINAL DE CONTAS SIGO EXEMPLOS
MAS EM MOMENTO ALGUM
PASSOU PELA MINHA CABEÇA
REPRODUZIR A MERDA QUE FABRICA
SINTA INVEJA SIM
SINTA ÓDIO
PELO MENOS É MAIS DIGNO QUANDO SE MOSTRA
INFELIZMENTE DIGNIDADE PASSA LONGE DE SEU VOCABULÁRIO ESCASSO
SUA CÓPIA É GROTESCA
SEU TEATRO É POBRE
LONGE DE SER GROTOWSKY
O QUE FALO
FALO QUE TE ASSUSTA
MAS ENGOLE NO ESCURO
NEGRO HOMEM QUE TE SEDUZ
PAI DE TODAS AS SUAS MALUQUICES
E QUE NÃO ASSUME
DESDENHA ENTRE OS HOMENS E ESCULACHA SUA IMAGEM
MOCINHA DE ROMANCE CLICHÊ
ÉS REPRISE
SOU QUASE QUARENTA
SOU O DOBRO E AINDA NA FITA
RESPEITE O QUE NÃO TEM O MENOR CONHECIMENTO AINDA
TENHO PALAVRAS QUE NÃO PRECISAM DE ORDEM
SOU APENAS MAIS UM
E SEI MUITO BEM QUEM SOU
E VOCÊ?
JÁ SE ENCONTROU NESSA LAMA
QUE INSISTE EM DIZER QUE É TEATRO?
ACORDA MANÉ!
EXPERIMENTE UM MONÓLOGO INVOCADO
DÊ IDÉIAS
SEJA PROTAGONISTA DE SUA VIDA...








QUEIMEI O FILME


o excesso de tinta borrou nosso rascunho
imagem desencontrada
rabiscos inseguros que não chegam a revelar porra nenhuma
fotografei sua alma
mas o filme queimou na hora do sexo
refiz os esboços
tentei apagar sua imagem
cheguei a colar outro rosto
fiz um relicário com suas partes
estudei possibilidades
atirei no escuro
resolvi comprar um romance barato
mais fácil
fiz uma cópia e alterei o roteiro
copiei descaradamente minhas respostas de uma novela qualquer
cheguei nas últimas e gozei sozinho
enxuguei minhas lágrimas no guardanapo riscado
descolei minha tropa e segui meu caminho
essa vida é boa pra caralho









TEATRO DE BONECOS NO CANTÁ

Agentes de Saúde do município do Cantá

As oficinas de teatro de boneco na prevenção às DST/Aids têm produzido diversos bonecos bem legais. Os profissionais da área de saúde estão aproveitando bastante a capacitação da Cia. do Lavrado. Estivemos no fim de semana passado no município do Cantá e a turma de lá mandou muito bem. Fizeram diversos bonecos de garrafa pet, reciclaram muito material e o fechamento da atividade, a apresentação, foi muito bacana. Eles conseguiram em dois dias produzirem material muito criativo e ainda ajustaram a linguagem à temática abordada. Não sei nem se eles irão colocar em prática, mas o material para melhorarem a abordagem deles já existe. Essa história de teatro de bonecos surpreendeu a todos nós. A primeira vez que participei de uma oficina de construção e manipulação de bonecos foi no Rio de Janeiro. Isso lá pelo ano de 1993 ou 94 não sei bem. Foi uma oficina rápida, na Faculdade Estácio de Sá, que sempre realizava cursos interessantes pra comunidade. Dei continuidade ao trabalho e montei diversos bonecos de espuma. Fiz espetáculo com bonecos, animei festa e tudo. Teve uma ocasião que eu e a minha amiga Rossana estávamos animando uma festa em um playgraound no Méier e de repente o vento derrubou a nossa empItálicoanada (cenário em que o manipulador fica atrás escondido). Foi complicado. Ficamos com os bonecos nas mãos e todo mundo olhando pra gente. A empanada simplesmente decolou. Improvisamos e depois disso nunca mais animei festa na minha vida. Só voltei a me apresentar em festa aqui em Roraima, quando apresentamos o espetáculo O Pastelão e a Torta em uma festa no Paraviana. Foi bem legal. Festa, tô fora! A Cia. do Lavrado cismou agora que quer desenvolver trabalho infantil com teatro de bonecos. Acho ótimo. Desafiador. Acredito que montaremos no segundo semestre um espetáculo bem bacana. Vamos ver se a bonequeira Ananda nos ajuda nesta empreitada. Por enquanto, viajo amanhã pro município de Bonfim. Mais dois dias de capacaitação e em fevereiro encerraremos o projeto no município de Pacaraima, fronteira com a Venezuela. É isso. Tô devendo as fotos pros municípios, mas em breve farei contato com todos e entregarei um CD com todas as fotos e imagens que fizemos das oficinas. Estão todos de parabéns. A Coordenação de Dst/Aids do estado por acreditar no trabalho da Cia. do Lavrado, os municípios que encaminham profissionais interessados em aprender um pouco mais. E lógico, a Cia. do Lavrado por ousar mais uma vez. É isso.















APIS MELLIFERA ADAMSONI


- Estamos sendo invadidos! Acordei minha mulher noite dessas com gritos desesperados. A coitada levantou-se tremendo. Parecia crise epilética. Depois de acalmá-la pude explicar a razão de tal desespero repentino. Nossa casa estava sendo invadida por abelhas africanas, ôpa, me desculpem, abelhas afro-descendentes, antes que me processem. Minha mulher não parava de me repreender, - tá vendo, eu te disse pra não matar abelha. Elas se comunicam, avisam que estão em perigo. Tentei argumentar que isso é folclore, mas de nada adiantou. De uns tempos pra cá, coincidência ou não, depois que comecei a acertar os malditos himenópteros voadores, a coisa piorou de verdade. Uma vez ou outra eu avistava uma abelha na parede do muro de minha casa. No outro dia matei uma dentro de casa. Depois lasquei detefon em duas na garagem. E no início da semana, nem sei porque, mas acordei às quatro da matina. Não consegui dormir mais. Fui à sala e iniciei a minha vistoria na casa, tenho essa mania, às vezes entro em casa e olho até debaixo da cama. Não, não tenho problemas de chifres escondidos e nem à mostra, mas o fato é que convivo com a sensação de insegurança permanente. Mesmo dentro de minha própria casa. Coisas de cidade grande. Olhei que na tela da janela havia um par de Apis mellifera adamsoni, as malditas afro-descendentes, digo isso sem nenhum preconceito. Elas pareciam me observar. Por uns instantes fiquei ali, encarando os insetos e tentando entender a razão de tal visita assustadora. Quase iniciei um diálogo, quase implorei para desaparecerem. De repente percebo um zumbido forte. Já estava ali, mas como eu havia acabado de acordar, meus sentidos ainda não me obedeciam por completo. Coloquei a cara encostada na tela e olhei a lâmpada do lado de fora. - Puta que pariu! Gritei pela casa e mais uma vez minha mulher quase bate as botas. - estamos sendo invadidos! A situação era alarmante. Tentei contar, mas as desgraçadas não paravam de voar e se misturavam com uma pressa que eu acabei embaralhando tudo, mas deviam ser mais de 10. Bom, mais de quatro já podemos qualificar como uma quadrilha, mais de 10, com certeza não tinham boas intenções. Fechei imediatamente a janela. E fui em cada cômodo para fechar suas janelas também. E em cada uma haviam pelo menos três abelhas afro. Percebi que as telas estavam furadas e na certa elas já sabiam disso. Minha mulher, que não morreu, voltou a dormir. Não sei como conseguiu, mas eu fiquei acordado. Vigiei a casa. O dia acordou e fui trabalhar feito um zumbi. No outro dia tasquei um monte de fita crepe nos buracos, pintei as fitas com spray preto, pra disfarçar a lambamça. Visitei meu vizinho, pois acredito que a colméia esteja por lá. Estou agora aguardando a observação dele e não vejo a hora de chamar o bombeiro. De qualquer forma deixo aqui registrado, se por um acaso eu e minha mulher desaparecermos, invadam a nossa casa. Venham preparados com roupas especiais e muito detefon, pois uma tragédia pode ter acontecido no nosso bairro. Enquanto não nos enfrentamos, deixo as janelas fechadas e não durmo mais com a porta do quarto aberta. E São Francisco de Assis que me perdoe, mas continuo enchendo o saco dele todos os dias antes de dormir, afinal de contas, é o cara que cuida dos animais e da natureza e com certeza deve dialogar com carinho com as perigosas afro-descendentes voadoras. Amém.












quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

CLICHÊ

olha
fita
observa
percebe
absorve de uma vez por todas
que eu não posso viver sem você









FUI

não fiz o combinado
tentei seguir o atalho
fiz figa
acendi vela e tudo mais
coloquei até meia na janela
e nada
dispensei o Noel
o presente não me satisfaz mais
o que me engasga na boa é o passado
gosto do desespero da tosse
da fumaça embaralhada
do teu cheiro embriagado
vou me pendurar na janela
vou me suicidar da tua história
fui









COLETIVO RAIAR DO SOL

Bateria feita de latas de refrigerante

Essa turma do Projeto Projovem é muito bacana. Ainda estamos nos integrando, mas de longe já deu pra perceber o potencial deles todos. Estamos trabalhando o tema Meio ambiente e a moçada tem construído cada parada interessante. Hoje fizeram uma miniatura de uma bateria, muito bacana mesmo e fizeram em dois tempos. Desenvolvo com eles alguns exercícios de teatro e a meta é contribuir para que no encerramento do ciclo eles possam apresentar algo bem legal. Sinto falta de mais teoria, mas já conversei com os dois orientadores, que diga-se de passagem estão de parabéns pelo trabalho que desenvolvem por lá. Eles deveriam ser Ponto de Cultura. A Prefeitura tem uns dez pontos e não vejo resultado nenhum. Lá tem resultado. Os caras fazem a diferença de verdade na vida desses jovens e dá gosto de trabalhar no Raiar do Sol. Não sei se vou ficar muito tempo com eles e nem se eles vão aceitar as coisas que tenho pra propor, mas já tô satisfeito com o pouco tempo que tenho contato com todos eles. É isso, trabalhar é muito bom quando gostamos do que fazemos e quando nos relacionamos com pessoas legais como eles. Se hoje me perguntarem se existe atividade cultural no Raiar do Sol, não penso duas vezes, visitem o coletivo que trabalho. Vocês vão ver que a cultura tá viva naquela localidade. E vamos em frente...














LISÍSTRATA

Sony Ferseck(de costas), Reniildo Araújo, Gilson Larialp (gatinho), Ivan Andrade, Marcelo Perez, Graziela Camilo e Carol, nossa amiga.
Foto: Paula (esposa do gatinho).

Fizemos uma ótima leitura ontem. A Turma do Tamanduá tá animada. Foi divertido e produtivo o nosso primeiro encontro. A preocupação agora é que precisamos de uma atriz. Difícil encontrar pessoas com disponibilidade de tempo pros ensaios. Ensaiamos às terças, quartas, sábados e domingos e essa é a razão do povo não chegar junto. Querem muito fazer teatro, mas quando passamos o calendário de atividades surgem os probleminhas. Vamos em frente e com certeza aparecerá alguém afim de encarar esta empreitada. Por enquanto, vamos nos divertindo muito neste processo de leitura. O texto Lisístrata é muito divertido. A história da greve de sexo é uma tirada genial. O prazer em levar às ruas esta comédia é imenso. Vamos ver no que vai dar. E hoje tem ensaio, às 19h, no Centro de Cidadania Nós Existimos, na Orla. Alguma mulher se habilita?














CENSURA NO ESTADO DE RORAIMA


Cada coisa escrota que me acontece... estive hoje em um departamento do estado ligado à cultura, pois coloquei dois projetos para serem aprovados e receberem um certificado para que eu pudesse conseguir patrocínio. Boa Vista é uma cidade provinciana demais, sabemos de muita coisa que rola nos bastidores. Eu já sabia que meus projetos não tinham sido aprovados e quando marcaram uma reunião comigo, já tava mais que careca de saber que iriam dar a justificativa mais descarada pra não aprovação dos mesmos. Mas fui. Até mesmo curioso em olhar nos olhos da pessoa que iria me atender. E não deu outra. - Seus projetos não foram aprovados devido ao palavreado. Esperava qualquer coisa, menos isso. A pessoa que me atendeu foi muito educada, tentou explicar a razão e me fez uma proposta indecorosa. Ela disse que o conselho que avaliou meus projetos queriam muito aprová-los, mas eu precisaria mudar meus escritos. Bom, o livro que eu escrevi precisava fazer uma revisão e o texto teatral também. Eles não querem que os estudantes tenham acesso a material que fale de suicídio entre jovens e de drogas. Acredito que seja isso, pois até agora não entendo a expressão palavreado. Pedi que me passassem as possíveis situações que eles estariam sugerindo tal mudança absurda, até pra que eu possa entender a razão de tamanha censura. A senhora ficou indignada quando eu disse que aquele departamento estava censurando os meus trabalhos. Eu fui claro na minha decisão. Não vou alterar nada só porque algumas pessoas, os avaliadores, que nunca vão ao teatro em Roraima, que não entendem nada de cultura e que tem seus empregos porque são amigos do amigo do amigo de alguém que se diz importante, avaliam que o conteúdo é impróprio. Sem essa. Censura é o que aconteceu no estado de Roraima. Ainda perguntei pra ela se ela tinha lido meus textos e a senhora, coitada, ficou deslocada. Ela nem leu. Depois tentou dizer que tinha lido e não lembrava direito. Vergonhoso... Tava ali defendendo uma tese que nem ajudou a construir. No mínimo um papel ridículo que eu não gostaria de estar executando, ou melhor, se fosse eu, pelo menos leria os trabalhos para que pudesse somar minhas impressões à discussão. Então é isso. Eles querem muitos projetos na lei de incentivo do estado, mas são censores ferrados. Ainda disse à ela que irei apresentar este espetáculo por conta própria nas escolas e ela me disse que não, pois ela faz parte de um conselho... porra, ela nem sabe o que se passa nas escolas! Já apresentei peça de prevenção às drogas em diversas escolas do estado. Pegava pesado na linguagem, o texto era forte e os jovens adoravam. Discutíamos muito depois. Já fiz peça de prevenção às DST/Aids e inclusive com prótese na mão, colocando a camisinha e o público sempre curtiu. A mulher disse que assim é diferente, pois tem a aula de biologia. Pensei, caralho, e o professor de literatura, e os outros professores que podem abordar este tema nas suas aulas? Por isso que o ensino no estado de Roraima é fraquíssimo. Não estamos formando jovens que exercitem a sua opinião crítica da vida. Bom, nem demorei muito na reunião. Não estou triste pela grana que não vou ganhar, o trabalho eu vou fazer assim mesmo e a grana virá de um jeito ou de outro. A merda toda é que enquanto estiverem essas pessoas desinformadas e preconceituosas no GTAP e CONSELHO DE CULTURA com certeza a cultura deste estado vai continuar na mesma merda. Ah, a senhora ainda disse que meus textos passaram nas mãos de estagiários da secretaria de educação. Caguei pra eles. Que fItálicoormação equivocada eles tiveram e que educação estão oferecendo para os nossos alunos aqui em Roraima. É pessoal, quem tá no poder na cultura deste estado tá mais perdido que cego em tiroteio. E tem mais, eu não queria dizer, mas disse à ela que este mesmo texto censurado (ela não queria que eu falasse assim) ganhou um prêmio pela Fundação Nacional de Artes, no final de 2008, pela excelência do assunto abordado, falei assim o nome completo, pois tenho certeza que eles nem sabem o significado da sigla FUNARTE. No mais, trabalho pra caralho, cada vez mais, pra nunca ter que depender desses caras nas montagens de meus trabalhos. E quer apostar quanto comigo, que depois que eu estreiar este espetáculo, com certeza irei apresentá-lo em diversas escolas do estado. E tá arriscado até esta senhora que foi a porta-voz de tamanha insanidade assistir à peça e nem se lembrar que foi o tal texto censurado. O negócio é não esquentar e nem abaixar a cabeça e continuar seguindo o enterro...












terça-feira, 27 de janeiro de 2009

LAMA




Não, não dá mais tantas voltas não

Se chicoteia assim por qualquer perdão

Todo esse teatro não impressiona

Por maior que seja sua recompensa

Não se importe tanto assim

Com sua imagem decadente enfim

Nada adianta depois se lamentar

Por maior que seja sua recompensa

Volta ou vai embora meu amor

Sem ameaças ensaiadas na frente do espelho

O caminho mais fácil

Nem sempre é melhor que o da dor

Dê uma chance pra vida te mostrar

Um jeito menos doloroso de se despedir

Não seja assim tão duro amor com as palavras

Lave bem as suas mãos antes de se decidir

Tira essa lama das botas

Antes de me dar as costas


Composição: Meg Stock

Banda: LUXÚRIA













VAMOS SONHAR MINHA GENTE!


Hoje é dia de leitura. A Cia. do Lavrado começa definitivamente os ensaios de Lisístrata. Tô ansioso sim, muitas idéias surgiram no processo de adaptação do texto junto com a Grazi. Quero logo colocar em prática. Sei como as coisas funcionam, já tô nessa desde 1990 e sempre que inicio um processo de trabalho muitas outras coisas acontecem. Estamos com as datas atropeladas. Prazos para serem cumpridos. Isso tudo é bom pra caralho. O legal de fazer teatro é a possibilidade que tenho em me relacionar com várias pessoas bacanas. Pessoas cheias de idéias, sonhos e objetivos, que muitas vezes nunca serão alcançados. Mas e daí? Nem tudo que sonhamos ou desejamos conseguimos de fato realizar. Como disse, desde 1990 que sonho sem parar. Poucos da minha época conseguiram ganhar a vida com teatro. Muita gente equivocada. No Rio de Janeiro e em São Paulo o povo só pensa em televisão. Aqui em Roraima não rola isso, mas muitos aqui não conseguem se enxergar como artistas de teatro. Aqui tem muita gente que faz teatro que tá mais pra público, fã de carteirinha do que pra ator/atriz. Sei lá porque falo disso...também já fui assim. Eu não tinha coragem de dizer que fazia teatro quando me perguntavam na rua. Quando eu falava, a voz saía sempre insegura. Mas eu já tinha certeza do que queria, aliás, depois da escola de teatro é que eu tive a certeza de que tava realmente fudido. E me incomodava dizer que fazia teatro, mas não recebia um puto sequer. Não tinha outro jeito, ou eu corria atrás de fato ou então seria vendedor pro resto da minha vida. E como já escrevi neste blog, já fui cambista na porta do Maracanã, vendedor de sandwiche natural na Praia de Copacabana, vendedor de remédio, de jornal, de roupas, e outras atividades ilícitas, porra, só não vendi a mãe porque a coitada nunca deu esse mole. O certo é que buscar meu lugar ao sol todos os dias dá um puta de um trabalho. Não me arrependo de nada. Nem acho que já tô legal, não falo de questões materiais. Se hoje eu encaro qualquer um e qualquer parada sinistra, falo o que penso, não levo desaforo pra casa é porque tenho certeza do meu valor. Valor conquistado com muito trabalho. Tenho colegas que resolveram seguir outros caminhos, no teatro mesmo. Conheço muita gente que não perde tempo em articulações desonestas e com isso colocam muita grana suja no bolso. Não tem muito mais que isso pra apresentarem e então o que resta é ficar na espreita e na primeira oportunidade enfiam a faca mesmo. É foda, amigo, a Cia. do Lavrado é uma construção coletiva, com muitos esforços. Tenho muito orgulho em saber que fazemos a diferença em um estado como este. Fazemos a diferença sim, não somos melhores e nem piores, mas estamos lá. Assistimos ao vídeo do Grupo Galpão, acho que no domingo, só a primeira parte, pois não temos a segunda e logo em seguida abrimos pros comentários. E como existem semelhanças nos nossos processos de trabalho. Outro dia ouvi de alguém, é porque aqui é assim, eu sempre ouço de alguém, porque ninguém tem coragem de falar na minha cara, quer dizer, na nossa, sabem, da Cia. do Lavrado, o boato dizia que nós queremos ser ou achamos que somos o Grupo Galpão. Provavelmente quem disse isso não conhece nem um pouco a bela história do Galpão...Porra, mas é lógico que gostaríamos muito de vivenciar esta trajetória e lógico que quando pensamos em Cia. de Teatro, pensamos no Grupo Galpão sim. Qual é cara, acha que vou me inspirar em qual grupo de Boa Vista? Tá de sacanagem. Não somos parecidos com nada daqui. Digo de novo, não somos melhores, mas o fato de nos espelharmos, quer dizer, essa é uma opinião minha, no Grupo Galpão, de MG, significa que não estamos de bobeira e que desejamos o melhor pra gente. A idéia de saírmos do país acredito que deve ter vindo do DVD, sei lá, assistimos algumas vezes e isso acaba ficando no inconsciente coletivo, do nosso coletivo. Queremos sim ir pra África, Argentina, Venezuela, Europa...sei lá, pra puta que te pariu e chegar até lá e mandar bem pra caralho. Porque estamos ensaiando e discutindo teatro todos os dias pra isso. Esse é mais um desejo que pode até não se realizar, mas sonhar é bom demais. Não acham? E nesse espaço de tempo estamos nos preparando. Queremos mostrar o nosso melhor. A Turma do Tamanduá (Cia. do Lavrado) tá entrosada. O legal é que os integrantes da Cia. do Lavrado estão se capacitando por conta própria. Querem muito melhorar. Tenho um baita orgulho de fazer teatro com todos eles. São pessoas que trocam informações, que estão sempre prontas a ajudar qualquer um. Não temos segredos, saca? Fazemos teatro pra todo mundo. Não fazemos teatro só pra gente. Grupo Galpão...cara quer elogio maior do que este? Enquanto insistem em nos afastar, em colocar apelidos escrotos na gente, mais queremos nos aproximar. Louco isso não é? Vai entender... Somos assim. E olha que qualquer hora desta estaremos mandando um postal lá da Europa. Já vi tanta coisa maluca acontecer nesta vida, que não duvido de mais nada.