Ontem, dia 07/09/2010, a Cia. do Lavrado iniciou a sua itinerância pelo estado de Roraima. O primeiro município foi Mucajaí, 55km da capital Boa Vista. Fizemos parceria com a SEMCET, Secretaria Municipal de Cultura, Educação e Turismo de Mucajaí, que nos recebeu muito bem nesta terça da Independência. A nossa apresentação esteve dentro de um evento esportivo promovido por esta Secretaria.
Descarregamos os carros, escolhemos o lugar mais adequado para nossa apresentação e iniciamos nossos trabalhos (aquecimento e maquiagem). O público, curioso, se aproximou aos poucos e assim começamos a nossa interação naquele município. Após a abertura do evento, começamos a tocar nossos instrumentos e mais pessoas se aproximaram. Com a roda formada, iniciamos o espetáculo. A maioria das pessoas presente não tinha a menor noção do que iria acontecer, pois na cidade não tem teatro e muito menos grupos que realizam teatro de rua. Com certeza, para muitos ali foi a primeira vez que assistiram a um espetáculo de teatro de rua.
A cidade tem a tradição de realizar todos os anos a Encenação da Paixão de Cristo, mas após esta época não acontece nada de teatro na cidade. O Grupo de Teatro Teo Artes, que conseguia mobilizar muitos jovens, já não existe mais. Muitos se mudaram para a capital desarticulando suas ações. Eles conseguiam reunir um grupo grande de jovens, isso em 2004 e realizavam as suas apresentações em uma casa, que foi transformada em sala de espetáculo e que hoje, também, não existe mais.
A apresentação foi ótima, tendo em vista que tivemos que disputar com uma caixa de som que narrava o jogo de futebol e ainda com os carros de som que passavam anunciando seus políticos preferidos. Lógico que nossa voz não aguentou por muito tempo, mas aconteceu. Ficou a experiência de não marcarmos mais nossas apresentações dentro de eventos em que ao mesmo tempo irá acontecer outra atividade. A organização, que nos levou até Mucajaí, esteve sempre presente e tentando melhorar as condições para que pudéssemos realizar um bom trabalho.
Quanto ao espetáculo fico feliz por ter percebido o quanto funcionou com aquele público, ou seja, o que nos programamos em fazer deu certo. Ele não está pronto, na verdade, vamos amadurecê-lo dentro da itinerância, pois por mais que estejamos ensaiados, sempre teremos que rever algumas escolhas.
Nossa próxima parada é o município de São João da Baliza, dia 10/09, dia do meu aniversário. Na seqüência faremos Rorainópolis, dia 11/09 e Iracema, dia 12/09. Essas três apresentações contamos com a parceria do SESC/RR. Esse projeto foi montado com recursos do Prêmio FUNARTE Myriam Muniz de Teatro 2009 (suplência) e tem a parceria em todas as apresentações do Restaurante Tulipa, do Movimento de Teatro e Circo/RR e do Movimento Nós Existimos.
É isso. Uma paradinha para o café e vamos voltar para a estrada.


empregada, que trabalhava no mesmo prédio que ela, vendia para a vizinhança local. Sobrava pouco, o suficiente para a cerveja e a pizza no rodízio do restaurante da moda do bairro de Bonsucesso, o núcleo da bomba. Ela trabalhava três vezes na semana na casa do gaúcho caminhoneiro. Ele era um sujeito tosco, beberrão, tinha uma cabeça amarela com pouquíssimos cabelos e era fã doente dos Beatles. A aparência era uma contradição... Vivia na estrada. A maior parte do ano ficava fora de casa. Transportava grãos e devido a importância da carga lhe sobravam poucos meses com a família
