quarta-feira, 30 de julho de 2008

BANQUETE TEATRAL

Então, ainda com o festival na cabeça estive pensando no Banquete Teatral da FETEARR. Eu e o Renato conversamos muito lá em Porto Velho e chegamos a conclusão de que este evento pode ser melhor do que é. Precisamos assumir que estamos fazendo cenas de teatro nas ruas. O cara deste evento precisa ser de teatro de rua, mesmo que os grupos envolvidos não atuem nas ruas, mas é preciso trabalharmos mais tecnicamente para atendermos ao público que vai lá nos assistir.
Precisamos melhorar nosso trabalho vocal, trabalharmos mais com música ao vivo, ao invés de contarmos com o problema do som, precisamos ter mais noção do espaço que as cenas são apresentadas. Uma vez falei lá no Nova Cidade da necessidade de criarmos um som juntos, como integração e aquecimento e acabei vivenciando lá em Porto Velho um cortejo, que não foi difícil de se montar.
Até mesmo a organização desta divulgação precisa melhorar. Enfim, já que assumimos este projeto e ele é um cartão de visitas da FETEARR, então é responsabilidade nossa melhorarmos a qualidade dele. Concordam? Quem sabe um dia temos mais um produto maior em mãos, é verdade, hoje fazemos cenas de 15 min, mas nada impede de fazermos uma mostra de teatro de rua com cenas de 30min, por exemplo.
É isso. Temos muito o que pensar e fazer.







terça-feira, 29 de julho de 2008

PRECISAMOS IR MAIS NO INTERIOR DE RORAIMA

Bom, agora é a vez do interior. Já andei ouvindo histórias por aí, de que o SESC tá zangado com a Cia. do Lavrado, enfim, não vou me pronunciar porque não sei do que se trata e nem fiz relatório nenhum, ainda. O que me chateia é que tem gente que insiste em tirar o foco do seu teatro e meter o bedelho na vida dos outros. É bom que vamos estudar o teatro pobre e porque não falarmos dos atores pobres de espírito que não se tocaram que existe muita gente em Roraima afim de fazer teatro mesmo. Não falo só da Cia. do Lavrado, mas de outros grupos que tem o seu trabalho alicerçado e que estão seguindo os seus caminhos. Mas já é hora de nós atores chamarmos atenção pra que essas crianças calem as suas matracas e só as abram quando tiverem algo produtivo pra dizer.

Feito a introdução, não temos nada pra reclamar do interior e nem do SESC. Tivemos um público de, sei lá, umas 500 pessoas. Fomos bem recebidos em cada unidade do SESC LER, tanto por funcionários como pelos moradores da comunidade. Os três espetáculos foram uma delícia. nos divertimos demais da conta. Em especial em São João da Baliza, local que realizamos uma oficina com mais de 20 participantes. O grupo REVERBEL, vou falar de novo, esteve presente e os carinhas são guerreiros. Precisam sim de mais investimento do poder públcio local e do SESC. Mais atenção pra esses caras que tão querendo acertar e já acertam legal.

Na estrutura do SESC não nos faltou nada. O motorista muito boa praça e a pessoa responsável pelas apresentações não nos atrapalharam. Até mesmo o nosso excesso na ida, fomos daqui até Rorainópolis tocando instrumentos, cantando e bebendo vinho, na maior alegria e festa. Bom, não vejo razão pra comentários espantosos sobre isso. Somos um grupo de teatro e não de missionários. Somos seres humanos antes de tudo e às vezes nos excedemos mesmo. Não fazemos a menor questão de demonstrar o que não somos e muito menos omitimos a nossa felicidade. Foda-se. Se não for assim, daqui a pouco vamos começar a falar mal dos outros, que é como acontece por aí. As pessoas se boicotam tanto, se camuflam tanto que precisam fazer alguma merda e aí tomam conta da vida alheia. Foi assim.
Oferecemos ao público do interior a maior energia possível. Tanto é que quase o elenco todo chegou muito ruim de saúde em Porto Velho. Acredito que o SESC deveria investir mais nessas parcerias e inclusive começar a levar gente pra dar aulas, principalmente para o pessoal do REVERBEL, de Baliza. Porra, tem muita gente naquele grupo... Cara, o SESC fez a parte dele e nós fizemos a nossa. Os dois acertaram. Acredito que parcertia é isso. Parceria não é a Cia. do Lavrado ficar lá na sala do SEARC puxando o saco pra eles realizarem qualquer coisa pra gente.
Então é isso, depois coloco foto aqui, pois fotos e filmes ficaram todos no laptop do Ivan. A avaliação desta viagem está traduzida no nosso desejo de retornarmos com outras produções.







FOI UM FESTIVAL!

Renildo Araújo dando uma última conferida no material.
Praça das Caixas D'água.
Foto: Marcelo Perez.

Esse foi o visual que nos abrigou durante uma semana. Então, falando mais tecnicamente, me surpreendi muito com este festival. A organização esteve perfeita, a hospedagem foi bacana, sem luxo, mas tinha lá o ar condicionado, banheiro, cama gostosa e um café na moral. As refeições eram feitas no SESC, na hora do almoço. Uma comida caseira, simples e sem muita frescura. A janta era em um restaurante próximo ao Hotel. Cara, comi bem pra porra, a semana toda. Não tenho do que reclamar. O transporte tava dez. O Bené, motorista, a Braguinha, produtora e a Veruska, assistente (eu acho) deixaram a gente super à vontade. Em nenhum momento demonstraram insatisfação no meio daquela correria toda. Estavam sempre prontos e com uma cara de cansados...O Chicão também atendeu a todas as nossas angústias. Parecia ser o sujeito mais calmo do festival. Mas acho que o cara devia tá nervoso e não quis demonstrar. Sei como é isso, é igual comigo na Cia. do Lavrado. Às vezes bate uma insegurança...mas não dou mole. Não posso deixar de falar dos oficineiros, Narciso Teles e André Garcia. Pessoas generosas, que souberam se aproximar dos grupos e discutir os espetáculos. São caras que realmente entendem de teatro de rua, já tão nessa faz tempo e em nenhum momento omitiram as dificuldades de seus locais de origem, sempre num bate-papo de pura identificação. E os artistas, cara, só tinha gente boa. Pelo menos os que eu me relacionei eram todos nota 1000!
O público curtiu muito o trabalho do Grupo Baião de Dois, TORTURAS DE UM CORAÇÃO. Eu já tinha assistido no Festival de Teatro da Amazônia, em Manaus e gostei demais do espetáculo. O elenco entrosado, soube adaptar muito bem o espaço cênico, pois o espetáculo foi concebido pra palco italiano. Eles estavam conosco direto e nos divertimos muito.
O pessoal do Acre, puta, só figuraça. O espetáculo MANOELA E O BOTO abriu o festival. Um trabalho sem cenário, com o peso todo em cima dos atores e dos músicos, que seguraram bem a onda e fizeram um ótimo espetáculo. Eles usaram muitos objetos cênicos, muitas soluções interessantes. Eu vi teatro de rua. Digo isso porque fui pra lá com a impressão de que o que a Cia. do Lavrado faz é teatro na rua. Acabou que na oficina do Narciso Teles essa minha impressão foi por água abaixo. Fazemos sim teatro de rua. O elenco afinado, com ótimos atores, os músicos em cima, com muita precisão dando a linha do espetáculo e uma direção precisa que não precisou nem ficar perceptível. Foi assim o Acre.
O Imaginário (RO) apresentou O Mistério do Fundo do Pote. Um espetáculo do veterano Illo Krugli. De todos os trabalhos, este foi o mais circular. Utilizaram todos os lados e ângulos possíveis. Soluções cênicas também muito interessantes. Muitas coisas já estamos trazendo pra Boa Vista, copiando, adaptando pra nossa realidade. Ótimos atores no elenco.
O Salto, do nosso amigo André Garcia lá do RJ, foi uma surpresa. Me lembrei do Grupo Clownstrofobia que fiz parte l´pa no RJ há alguns anos. O Salto foi um espetáculo repleto de palhaçadas, que traziam como costura um mistério desgraçado, que no final surpreendia a todo mundo. O cara dizia o tempo todo que ia dar três saltos do banco sem tirar o pé do banco. Entre uma tentativa e outra, o cara fazia uma porrada de números de palhaço. Foi muito agradável de assistir, sem falar na técnica que o André domina muito bem, manter a atenção de um público de pelos menos 400 pessoas em plena rua e sozinho, não é mole não.
A Cia. do Lavrado já falei. Aprendemos muito. Nos surpreendemos com o resultado do trabalho. Uma parte da Cia tinha a certeza de queria seria muito legal e outra parte que viajou e que ficou em Boa Vista não botava fé, acharam que era só pra cumprir tabela. E foi o contrário. O público legitimou o trabalho, os artistas comentaram direto, fizeram críticas bem legais, souberam fazer críticas, deram sugestões de mudanças, sim e por que não? Foram generosos. Um exemplo pra gente.
A avaliação da Cia. do Lavrado foi a melhor possível. Percebi isso na fala e nos olhares e sorrisos da moçada. Apesar de todos exaustos, a satisfação era transparente.












VÉIO CHICÃO


Esse aí com o microfone é o Chicão, de Porto Velho, foi quem nos convidou pra participarmos deste evento maravilhoso. Essa foi a segunda apresentação, dia 27/07 e como podem ver a praça tava lotada. O último dia foi o seguinte, um cortejo muito louco invadiu a Praça das Caixas d'água, que já tinha muita gente louca por teatro, por cultura e fizemos muito barulho. Numa grande roda cantamos muito. Todos os participantes das oficinas e os atores dos espetáculos. Em seguida, deu-se início à três espetáculos ao mesmo tempo. Cada um num canto da praça. Algo que já tava planejado, mas que nos bastidores todo mundo morria de medo do que pudesse resultar. E foi assim, a Cia. do Lavrado (RR), OImaginário (RO) e o Grupo Baião de Dois (AM). O público pode escolher ao que assistir e as três apresentaçãoes ficaram abarrotadas de gente.

Depois, deu-se início a mais duas apresentações, Cia. Será o Binidito (RJ) e o Grupo Vivarte (AC). Ainda ficamos na praça por um tempo, observando a cara extasiada dos atores. Foi uma experiência coletiva (público e artistas) única. Tenho a certeza de que quem esteve naquela praça no dia 27/07/08 nunca mais esquecerá do aconteceu ali.

A noite acabou em pizza. Uma mesa enorme, com todo mundo em confraternização.







segunda-feira, 28 de julho de 2008

TÁ ACABANDO...

Já estamos nos arrumando pra voltar. O Festival foi tão corrido que não tive nem tempo de atualizar aqui. Mas tá tudo fotografado, filmado, registrado nas nossas memórias. Temos muito o que aprender, trocar, experimentar e transformar. Foi uma verdadeira celebração este evento. É isso. Quando eu chegar terei muito o que escrever.







sexta-feira, 25 de julho de 2008

AINDA PORTO VELHO...

RENILDO ARAÚJO E MARCELO PEREZ (AO FUNDO)
FOTO: DE UMA MENINA DA PRODUÇÃO MUITO GENTE BOA

Então, continuando o papo, essas vindas à festivais são interessantes demais. Percebo que não somos diferentes de ninguém. Os grupos dos outros estados tem as mesmas dificuldades, até o cara do RJ, André Garcia, se identificou com todos nós na mesa redonda O TEATRO E SUAS PERSPECTIVAS. No Rio de Janeiro eles passam pelos mesmo problemas. Os grupos de Roraima precisam se unir mais, não a social de sair e ir pro barzinho, mas sim de ir de encontro ao poder público, questionar o porque da ausência de políticas públicas. Precisamos abrir mão de algumas coisas para conseguirmos outras. Não dá pra questionar o estado ou o município se colocamos nossos interesses sempre à frente. Cadê a moral pra sentarmos à mesa se a qualquer momento cedemos aos desejos deles? Em Roraima é mais complicado ainda. Temos poucos grupos que produzem. Temos grupos que pouco falam ou divulgam o que fazem. Trocar experiências em Roraima é muito difícil. Por isso abri mão de me reunir às quartas no restaurante. Não dá pra sentar numa mesa e passar o relatório e não ouvir nada do outro lado. E opior é que quem produz, produz coisas legais, sabem o que fazem, cada um no seu estilo de trabalho tem o seu mérito e eu nunca questionei isso. Só não entendo por que o fazem apenas pra si. Tô falando isso, lógico, devido a motivação que tô sentindo aqui. Continuo acreditando em uma Federação com poder político, que se faça representar de verdade. E aqueles que estão afastados por diversas razões, deveriam se aproximar mais. Cada artista de teatro deveria tomar pra si a FETEARR, parar de falar através da fala daqueles que estão à frente e começarem a sugerir ações, enfim, participarem mais. Algum tempo atrás, algumas pessoas motivadas por fofocas começaram a se manifestar mais pela internet e embora o momento tenha sido esquisito, foi saudável, foi possível ouvirmos o que as pessoas realmente pensam. Tem grupo em Boa Vista que nunca se manifestou na internet. Porra, não entendo, todos tem muita coisa pra dizer, contribuir. Todos são importantes. Sei lá, hoje não vejo que somos capazes de levarmos um projeto maior adiante. A FETEARR precisa amadurecer muito como um grupo de profissionais que estão determinados a transformar uma situação no estado de Roraima. É isso.



















PORTO VELHO II


A praça ficou lotada! A Cia. do Lavrado segurou a onda durante os 45 min. de espetáculo. No final, o público ainda ficou um tempão batendo papo conosco e deixando algumas inpressões do espetáculo. Recebemos críticas construtivas de diversas pessoas, entre artistas e público. Não teve espaço pra inveja, ciúmes e essas merdas que muitas vezes encontramos na nossa própria casa. Não teve neguinho pedante, se achando o tal e nem os artistas deixaram de nos dar parabéns, não sei nem se gostaram, mas reconheceram o nosso trabalho. Outra dificuldade no nosso estado em que ao término das apresentações poucos artistas se aproximaram de nós pra nos parabenizar. Faço essa observação no intuito de questionar mesmo, não pra polemizar e fazer intrigas, mas precisamos valorizar mais o que fazemos no nosso estado. Precisamos defender e falar bem dos outros que ficam quando temos uma oportunidade como essa de sair. É o que temos feito por aqui, valorizamos a FETEARR, mesmo sabendo da existência de discordâncias ridículas.
O festival tá foda mesmo! Os artistas estão unidos, tão se ajudando. Tá todo mundo atento com o trabalho do outro e pronto pra contribuir de alguma forma. As trocas estão rolando. Cada vez tenho mais certeza de que a merda da competição imposta por alguns grupos de Boa Vista, e que na verdade é mais um processo interno desses grupos, mas que acaba respingando nas ações do coletivo, atravanca todo um processo muito maior do que nós. Pessoal, nós podemos ser muito mais do que isso. Senhores diretores, deixem de lado esse espírito competitivo e vamos trabalhar mais pelo desenvolvimento do teatro em Roraima. Sei que vou ser interpretado erroneamente por alguns, mas fazer o quê? Não dá pra ficar calado. Então é isso. Vou almoçar e depois continuo esse texto que tem mais coisas pra falar.












quarta-feira, 23 de julho de 2008

PORTO VELHO



Essa aí é a Praça das Caixas D'Água, sei lá, acho que é isso. Este será o local da apresentação de todas as peças do Festival. Comecei a escrever,mas o carro do rango chegou. Mais tarde continuo. Até lá.

Então, o espetáculo MANOELA E O BOTO, do Grupo VIVARTE, de Rio Branco - AC abriu brilhantemente o festival. A tradição do teatro de rua esteve presente durante os 45 min da apresentação. A história do boto, conhecida por todos e muito divulgada nas regiões norte e nordeste agradou o público presente na praça. Legal observar o trabalho de outros grupos e como avaliação deste primeiro dia, percebemos que não estamos no caminho errado. À tarde rolou uma mesa redonda, O TEATRO DE RUA E SUAS PERSPECTIVAS com o diretor Narciso Teles. A Cia. do Lavrado colocou a realidade do teatro do seu estado e falamos um pouco da nossa experiência com o teatro de rua. Identificação total com os outros estados. É isso. Tô gripado pra porra! Vou descansar que amanhã começam as oficinas. Até.






segunda-feira, 21 de julho de 2008

CINESESC APRESENTA O MELHOR DO ANIMA MUNDI

APENAS REPASSANDO...
O Sesc Roraima apresenta nos dias 25, 26 e 27 de julho a Mostra "O Melhor do Anima Mundi", o maior festival de cinema de animação do mundo. As exibições acontecem sempre às 19h, no Cinesesc Digital, no Centro de Atividades Dr. Antonio Oliveira Santos, no Mecejana. A entrada é um quilo de alimento não-perecível, que será revertido para o Programa Mesa Brasil.
A mostra contempla uma seleção dos melhores trabalhos nacionais participantes do Festival Internacional de animação o Anima Mundi e é mais uma iniciativa do Sesc, que desde a década de 60 prioriza a formação de público, o desenvolvimento e o aprimoramento de artistas e produtores culturais.
Para o técnico de cinema do Sesc, Alex Pizano, é uma boa oportunidade para o público que gosta de cinema de animação conferir as produções nacionais que já fazem sucesso em todo o mundo.
"O Cinesesc tem essa proposta de formação de novos públicos para o cinema e esse tipo de mostra é uma excelente oportunidade para que o público possa conferir o que está sendo produzido pelo Brasil afora", afirma.
A mostra se realizará dividida em três programas. Na sexta-feira, 25, é voltada para o público infantil. No sábado é a vez da programação adulta e no domingo a classificação é livre.
Confira a programação completa
Sexta - 25 de julho:

Tem um Dragão no meu Baú / Leonel Pé-de-Vento / Zoya a Zebra / O Pavão Misterioso / Pirates / A Traça Teca / Seu Dente e Meu Bico / Como Surgiu a Noite / E o Vento...Me Levou! / Quack! / 14 Bis / Recital / Run, Dragon, Run.
Sábado - 26 de julho :

Os Sapos / Os Três Porquinhos / 7Kptais / Aos pedaços / A Noite do vampiro / Montanha Russa de Pobre / Santa de Casa / Por baixo da Lona / Yansan / Tyger.
Domingo - 27 de julho:

Qualquer Nota / Vida Maria / Caquinhas - Ninjas / O Primeiro João / Maria Dolores / Pax / Ziriguidum / A Última lenda / O Duelo dos Sacis / O Lobisomem e o coronel / Moleque é Bom! / Roubada.

Gilvan Costa
Assessor de Comunicação do Sesc Roraima
(95) 3621-3937 / 9971-8132 / 9972-9220






SUL DO ESTADO

Estou de volta, mas de passagem. Só o tempo de matar minhas saudades do meu amor, lavar as roupas, aprontar outra mala e viajar logo mais. A aventura da Cia. do Lavrado pelo sul do estado de Roraima foi simplesmente demais. Nos divertimos muito. Fizemos ótimas apresentações nas unidades do SESC LER. Acredito que conseguimos um público de mais de 500 pessoas. E para os municípios deste estado isso é gente pra caramba. A população do interior é muito carente de atividades culturais. Deveriam realizar mais ações como esta. Percebemos que existe muito público pra teatro. Em São João da Baliza tem o Grupo REVERBEL. Os caras participaram em peso da oficina que ministramos por lá. Eles tem muita vontade de melhorar e estão melhorando, mas o SESC e o poder público local deviam investir mais. Por exemplo, um profissional de teatro poderia ir pra lá todo último fim de semana pra capacitar mais aquela moçada. Sei não, aqui já é difícil... imaginem no interior.
Então, logo mais estamos indo pra Porto Velho e se fizermos as duas apresentações com a mesma energia que fizemos no interior, vai ser muito divertido. É isso, tô completamente estragado de cansado.



quinta-feira, 17 de julho de 2008

ROMPIMENTO TEMPORÁRIO

Invadiram o vestiário feminino e se trancaram no vaso. As roupas desapareceram com os amassos amarrotados do casal de fêmeas. Duas gatas que jamais desconfiariam. Uma guerra com bombas de tesão incalculáveis. O proibido prolongava o prazer. Foi uma chupação geral. Gozaram juntas como se fosse roteiro de um filme. Declararam-se em paz. Vestiram suas roupas comportadas e sairam desfarçadamente. Uma. Depois a outra. Voltaram à rotina em segredo. Durante o dia todo, apenas olhares sem nenhuma intenção. Nenhuma culpa.




DUPLO HOMICÍDIO

Ouviu um som de buzinas distantes. A luz invadida ainda não o incomodava. Mexeu um pouco o corpo. Nada que fizesse muito esforço. E foi assim por meia hora. Colocou as pernas para fora da cama. De lado. Ficou desse jeito uns quinze minutos. Imóvel. O próximo estágio era coordenar sua mente e seus movimentos. Buscou um ritmo interno e deixou a vida tomar conta de seus membros. Necessidades fisiólogicas. As básicas. Vestiu uma roupa e saiu. Chegou na biblioteca e guardou suas coisas. Atendeu ao público. Terminou Becket. Começou Kafka. Não tinha muito serviço em plena segunda de férias da Universidade. Os ovos do café começaram um briga feia com a linguiça de frango da noite anterior. Correu para o banheiro. Arrastou o Praga com ele. O vaso imundo, urinado e fedido passou despercebido. Cagou como um chafariz. Sorriu prolongadamente. Sua chefe abriu a porta e gritou seu nome. Parecia que ele havia esquecido das horas de tamanha sensação de alívio. Procurou o papel para se limpar. Só achou os marcados com pedaços dos outros. Tirou a cueca. Dobrou-a. Enfiou na bunda e esfregou direto. Dobrou em um pedaço menor e guardou-a no bolso da calça. Saiu e voltou para o batente. Virou figurinha fácil. A colega estranhou aquele forte cheiro. Estava indignada por não saber de onde vinha. Ele nem se interessou em saber o lugar. Não ligava para essas obsessões. Achava que se estava fedendo, então é que precisava feder até o final. Permaneceu sentado. Lendo. Não aguentou mais e gritou:
- Qual que é, vamo dá uma olhada na solinha do sapato que a parada tá fedendo pra porra! Vamo lá? É pra hoje moçada! Foi um surto. Embora vazio, o pequeno ambiente repleto de palavras pelas estantes fazia parecer lotado de gente. E tinha gente também. Sua chefe lhe deu uma bronca. Ele não se intimidou e partiu para dentro. Falou poucas e boas para a sua patroa.
- Olha aí, eu não curto esse lance de porcaria, falta de educação, sacou? A senhora pode falar o que quiser, o negócio é o seguinte, tem gente aí cagado. É só se retirar que o lance volta ao normal. Entendeu, senhora? Ela se impressionou com a reação dele. Era muito entusiasmo para ser mentira. Ela se aproximou. Fez um elogio bem próximo dele. Um rápido futum desgraçado rompeu como um foguete para dentro do seu nariz. A mulher deu dois passos para trás. Encarou o funcionário. E não parou mais de falar.
- É ele! O cagado tá aqui! Olha, gente, o cagado tá aqui, os estudantes ressentidos pelo esporro que tomaram, abandonaram seus livros e caíram em cima dele como um corredor polonês. Foi escurraçado para fora da biblioteca. Caiu sentado no chão. Zuniram um livro em sua direção. Levou uma pancada na cabeça. Desmaiou com o Kafka por sobre seu corpo.




UM SINAL

Invadiu o sinal com suas habilidades circenses. Recolhia dinheiro mais por tradição. Queria muito o exercício. A grana dava para o pão com mortadela diário e a prática, ele sabia que poderia levá-lo a perfeição. Não se importava com as caras emburradas daqueles que não o compreendiam. Sabia que seria muito difícil de se livrar do velho estigma. Drogado, viado e ladrão. Não estava ali para levantar essa bandeira, apenas cumpria com seu ritual de trabalho. Aprender silenciosamente. Uma vez recebeu uma nota de cem reais. Espantou-se. Estava acostumado com moedas, mas aceitou e correu para o abraço. A molecada viciada da esquina começou a sacar o artista. Mesmo sendo pouco, um dia de trabalho conseguia lhe render boa renda. O suficiente para despertar o interesse dos pivetes, habilidosos em transformarem qualquer coisa em pó. Seguiu sua rotina. Contou o dinheiro faturado. Comprou pão, mortadela e um refri. Foi para sua casa. Cortou caminho pela campinho de futebol. Já era tarde da noite. Tudo deserto. Os trombadinhas o abordaram. Sacudiram o artista legal. Toda sua roupa vasculhada. Não sobrou uma moeda. Se mandaram. O menorzinho ficou. Foi o único que não o agrediu, apenas olhou de longe. Ao ser abordado, o artista especulou que não tinha mais nada.
- É díficil? Disse o menino interessado nos malabares.
- É só praticar, respondeu o artista e imediatamente pegou os pinos e mostrou como se fazia. Ficaram ali um bom tempo. O menino aprendeu o básico. Se divertiram muito.
- Quer jantar lá em casa? Perguntou o moleque.
- Tô faminto, disse o artista e assim foram embora. Dividiram meia bisnaga com manteiga debaixo da ponte. O menino praticou a noite toda. No outro dia foram para o sinal. Na outra semana estavam em outro estado. No outro mês estreiaram um espetáculo em um país vizinho, de fronteira. Nunca mais passaram apertos.




quarta-feira, 16 de julho de 2008

AGENDA

Pessoal, repassando a programação do SESC...
O SESC apresenta dia 18 de julho "Baile Magia – Roraima em Buenos Aires" com o casal Orlando Marinho & Adrieli Trindade, que representarão Roraima no VI Campeonato Mundial de Baile de Tango em Buenos Aires, no próximo mês de agosto.
Ingressos a venda no local por R$ 5,00.
Local: Espaço Multicultural do SESC – Centro.
Às 20h.

Dia 19 de julho o SESC apresenta o Show Musical Lírico "Contratenor" com "JÂNIO TAVARES E BANDA", que estarão gravando um CD ao vivo e a cores, quem curti música clássica e erudita vale a pena conferir.
O show contará com um repertório de 14 músicas de estilos musicais variados desde canções líricas a baladas internacionais, onde os 12 músicos que formam a banda devem mostrar toda sua versatilidade.
Jânio Tavares é natural de Boa Vista, onde iniciou sua carreira como cantor ainda na infância. Dono de uma voz aveludada, considerada rara, no meio musical, por ser contratenor, Jânio é classificado como um dos maiores cantores da Região Norte.
Local: Espaço Multicultural do SESC – Centro.
Ingressos: R$ 10,00

O SESC apresenta dias 25, 26 e 27 de julho no CINESESC DIGITAL "A Mostra Anima Mundi – O Melhor do Brasil"
35 filmes de curta metragem, em diversos temas e técnicas de animação, percorrendo todos os estados, com programas para faixas etárias variadas.
Confira a Programação dos filmes que serão exibidos:
25 de julho Sessão Infantil – Tem um Dragão no meu Baú, Leonel Pé-de-Vento, Zoya a Zebra, O Pavão Misterioso, Pirates, A Traça Teca, Seu Dente e Meu Bico, Como Surgiu a Noite, E o Vento...Me Levou, Quack!, 14 Bis, Recital e Run, Dragon, Run.

26 de julho Sessão Adulta – Os Sapos, Os Três Porquinhos, 7kaptais, aos pedaços, A Noite do vampiro, Montanha Russa de Pobre, Santa de Casa, Por baixo da Lona, Yasan e Tyger.

27 de julho Sessão público Geral – Qualquer Nota, Vida Maria, Caquinhas Ninjas, O Primeiro João, Maria Dolores, Pax, Zririguidum, A Última lenda, O Duelo dos Sacis, O Lobisomem e o coronel, Moleque é Bom! E Roubada.

O SESC apresenta a itinerância do Espetáculo "A RETRETE OU A LATRINA" da Cia. do Lavrado, que circulará nas unidades do SESC Ler no interior, dias 18,19 e 20 de julho, contemplando os municípios de Rorainópolis, São João da Baliza e Iracema. Oportunizando o acesso a cultura em todo o estado de Roraima.

Atenciosamente
Claudir Lima Cruz
Assistente da Gerência de Cultura
* Informações, Sugestões, Críticas e/ou Elogios no Núcleo de Cultura do SESC - RR
Fones: 3621-3939/3621-3947/9972-7210
Email: krosane@sescrr.com.br e claudircruzrr@sescrr.com.br
VISITE O SITE DA CIA. DO LAVRADO:



terça-feira, 15 de julho de 2008

O DE CADA DIA

Escolheu o canto da praça para estacionar suas bujigangas. Estendeu uma rede no chão. Suas tralhas deixou no lado direito. Esticou as pernas para o esquerdo. Deu uma longa espreguiçada. Cumprimentou pessoas ao léu. Não conhecia ninguém. Voltou para os seus bagulhos e arrancou de dentro da mochila um rolo de arame. Com um alicate velho começou a trabalhar o objeto. Ligou baixinho seu radinho de pilha. A Maldita imperava. Tudo que era submundo passou por ali. Ele ouviu de tudo. Concentrado. Um Deus em sua criação. Os curiosos deram um tempo. Ficou rodeado por olhos ávidos de um momento único e rigorosamente especial, o momento de criação. Ele fixava os olhos nas pessoas sem perder o ritmo de sua obra. Um transe coletivo. Depois de muito mexer, finalizou o trabalho. Conseguiu dez pratas de uma senhora. Foi mais rápida que as cocotinhas. Ele chamou o vendedor de cachorro quente. Comeu dois. Se sentiu pronto. Se conseguisse faturar o almoço, sabia que já não corria mais o risco de passar fome. Foi à luta com seu arame e seu velho alicate.





domingo, 13 de julho de 2008

MARCELO NOVA

Aquilo ontem foi demais. Marcelo Nova em plena forma, com uma guitarra invocada, me fez lembrar de um show do Camisa de Vênus na década de 80. Dá a maior vontade de ficar aqui babando, falando um monte, tentando justificar a minha satisfação por ter ido ao show de ontem, mas não vou perder meu tempo. É chover no molhado, entende? Muitas pessoas que ontem estiveram no SESC, nunca jamais ouviram falar de Camisa de Vênus, muito menos assistiram a um show do Marcelo Nova. Muita garotada embriagada de um rock externo, desses que faz com que saiam de suas casas com uniformes, roupas que chamam atenção, maquiagens exageradas, mas conhecimento da fonte, esses moleques não sacam nada. Não é pra polemizar, mas é o que penso. Fiquei perto de uns funcionários do SESC que durante o show do Marcelo Nova não paravam de gritar - A Coisa! Porra, eu adorei o show deles. Os caras mandaram bem pra caralho. Uma performance com muita atitude. Mas, meu, não tá afim de assistir ao show, sai fora. Com certeza o infeliz que gritava não tem o menor conhecimento da história do rock nacional. Como é que um filho da puta desse pode contribuir para o desenvolvimento do rock em Roraima? Valeu o ingresso solidário. Agora uma pergunta, com tanto investimento no rock, por que aquele ginásio tava tão vazio ontem? E por que esses caras demoram tanto pra inaugurar um teatro?



sábado, 12 de julho de 2008

BONITO NA FOTO

Entrou no bar e escolheu a mesa do canto. Era sempre a mesma solitária. Perto dos banheiros, razão pela qual ninguém a desejava. Mas ele gostava de sentir aquele cheiro de mijo. De presenciar o entra e sai desesperado dos moleques e das meninas loucas pelo diabo ralado. Se o dono do bar cobrasse a entrada no banheiro já estaria rico. Ele gostava mesmo é de ficar por ali, à espreita. No final da noite, sempre recolhia uma maluca qualquer para arrochar na sua Kitchnet fedorenta. Todos os dias era a mesma coisa. Uma rotina enlouquecida e recheada de sexo casual. Uma japonesinha, aos tropeços, estacionou em sua mesa. Silêncio. Ela parecia que o conhecia. Cheia de intimidade, não perdeu tempo e bebeu do gargalo. Era o código para mais uma noite infernal. Subiram as escadas do prédio completamente entorpecidos. Ficaram por ali mesmo. A japonesinha era um tesão desgraçado, uma sainha curtíssima, maquiagem exagerada, quase escondia seus traços orientais. Ela ficou por trás e começou a morder sua orelha. Ele estava muito tonto para perceber o final da história. Ela colocou a mão no seu pau. Ele fechou os olhos. Ela arranhou sua nuca com os dentes. Arrepiou sua presa. Tirou o cadarço da bota enquanto lambia deliciosamente as orelhas de sua carne fácil. Ele delirou. Era uma gata de se apaixonar. Ele viajou naquela sacanagem toda. Ela, rápida e cruel, envolveu o cadarço no seu pescoço, tirou uma faca da cintura e alisou sua jugular sem nenhum medo de errar. O sangue espirrou deixando uma imagem surreal na parede do edifício, ela ainda aproveitou o pau de sua vítima, duro. Chupou até brochar. Desceu as escadas sorrindo. Ele ficou por lá. Famoso por um dia em todas as páginas de jornais da cidade. Bonito na foto.





SITE DA CIA. DO LAVRADO

Ei, dá uma passada lá no site da Cia. do Lavrado. Ainda tá em construção, mas já tem algumas informações. Quem fez o site foi o Ivan Andrade, que é ator da Cia. do Lavrado. O cara mandou bem pra caralho. É um site simples, sem muitas sacanagens, assim como a gente. Acredito que na próxima semana já esteja completo. E fique ligado que vamos dar uma festa de lançamento do site.


www.ciadolavrado.com.br



TEATRO NO SÁBADO

Hoje tem espetáculo do Grupo Locombia Teatro de Andanças. Eles se apresentam no Centro de Cidadania Nós Existimos, lá na Orla, ao lado do Colégio São José. O espetáculo O Inspetor foi apresentado na I Mostra de Esquetes da FETEARR e digo que é muito bacana. Quem curte mímica, música e mágica não pode deixar de assistir. Só não me lembro o horário, mas deve ser algo em torno de 19h. É isso.




quinta-feira, 10 de julho de 2008

QUEM TEM MEDO DE AVIÃO?

Encostou-se confortavelmente. Apesar de não gostar da viajar de avião, não tinha outra saída. Não estava ali por diversão. Era trabalho. Sabia desde o início que seria uma viagem ruim, independente de chegar vivo ou não no destino. Colocou o fone no ouvido e observou a coreografia estúpida, desanimada e inútil das comissárias. Tinha certeza que se o avião caísse, a última coisa que lembraria era dos procedimentos de emergência. Já havia ouvido falar que os cabos de aço que sustentam a aeronave o fariam em picadinho antes que terminasse de pronunciar socorro. Levantou vôo. As mãos grudadas na cadeira. Calmaria. Por um momento até se esqueceu que estava em pleno céu. Sentiu um incômodo nas suas costas. Imaginou ser o passageiro de trás com seus joelhos encostados na poltrona.
- Desgraçado! Só me faltava essa, pensou e começou a mexer suas costas, na esperança do cara se tocar e perceber que o estava incomodando. Não adiantou. Resolveu apelar para o ritmo. Isso mesmo, aproveitou que estava ouvindo música e começou a dançar na cadeira. Sentado. Fazia um esforço tremendo, com vários solavancos para trás. Acreditava que assim o carinha se tocaria e tiraria os joelhos dali. Nada. Já estava perdendo a paciência. As comissárias de bordo cochichavam no canto.
- Cada maluco que aparece por aqui...
- Ainda bem que proibiram o álcool...
- Olha lá, parece até que tá cheio de pulgas nas costas, se divertiram muito com seus movimentos desengonçados. O ridículo não surtiu efeito. O avião preparou-se para pousar. Ele já estava cansado, mas não se dava por vencido. Nem na descida interrompeu sua dancinha particular.
- Esse cara vair ver só quando eu levantar, imaginou as piores agressões possíveis. O avião parou. Ele levantou-se, virou rapidamente como um cowboy arisco no gatilho e... deu de cara com a cadeira vazia. Os joelhos inconvenientes, não passavam de um monte de revistas e jornais entulhados nas costas de sua cadeira.