
domingo, 8 de setembro de 2013
sábado, 24 de agosto de 2013
JÁ ENTENDI TUDO
PROCESSO
vai poeta
enfia a cabeça entre as pernas da palavra
enfia a cabeça entre as pernas da palavra
desafoba essa imensa inquietação
que tanto te azucrina
rabisca os traços dessa alma insensata
e cospe na cara dessa aparente sordidez
descobre o poema e seus dramas
desiste de tentar camuflar essa ideia
que dona de suas vontades
o subverte todos os dias
vai assumir
poesia!

quarta-feira, 7 de agosto de 2013
AINDA SE ESTIVESSE FALTANDO PEDAÇOS
não é o que eu quero
eu quero o que não é
sempre fui desse jeito
paradoxo confuso obtuso
com os lábios chapados
na boca do asfalto
sangrando em desordem
cada vez mais perto do erro
como se a culpa
fosse fundamental falta de zelo
dessa existência emprestada
irrequieta desorganizada
ainda se estivesse faltando pedaços
perdido na ausência de tudo aquilo
que já foi
que não fui
que não sou

SE FOSSE SÓ O CACHORRO DO QUINTAL...
INDO PRO FIM
tem horas em que os cachorros tirânicos abaixam a guarda
as estrelas desistentes vão dormir solitárias
e o vento inquieto simplesmente desaparece sem remorso
mas eu fico
tem vezes em que os ratos no forro não mais me perturbam
e os mosquitos não são mais páreos
eles sabem que não vou desistir com algumas picadas no
braço
o tempo passa
torce
acaba
eu fico
ainda consigo formar imagens
no meio de tanto naufrágio
não quero medir forças com a natureza
apenas tenho consciência dos meus dias perdidos
então
acelero
já saquei que tô indo pro fim

terça-feira, 16 de julho de 2013
CASTO
eu ando sonhando com uma vontade louca
de me enfiar pelos teus poros melados
escorrer por todo o seu corpo suado
até ficar grudado ao teu sexo
eu ando sonhando com uma vontade louca
de escalar o teu corpo com a língua
te engolir como um Cristo perverso
debruçado em suas costas de braços abertos
eu ando sonhando com uma vontade louca
de esfregar a minha pele em sua boca
arrancar do teu grito o infinito
de cuspir na tua cara o tesão

EM SUAS MÃOS
sexta-feira, 5 de julho de 2013
RECEITA NO VERSO
Não há receita no verso!
Só os restos de um grito
Que traz de trás da palavra
O avesso ao inverso
Um suplício
Objeto falado inscrito
Algo pensado
Rabisco na rima do risco
No vício de um alívio
In-des-cri-tí-vel
O crível cravado na folha
Ideia espocada da mente
Na melhor ex-porrada na cara
O falo na fala minha
Me cagueta e me faz perder a linha
E o que mais me incomoda
Instiga
É a resposta!
Felizes são os convidados para o asseio do senhor
Que morrem aos poucos
Com seus ouvidos calados
Compartilhando aos embalos
De uma rede transformadora
De não à opinião
Curte o corte no córtex alienado
Assim fez-se como um coito afoito
Interrompemos a sua programação...
Tudo é indefinido, Tudo é indefinido, Tudo é indefinido
Um imenso vazio infinito
Num minúsculo espaço preenchido
Desperdiçado como um natimorto
Só que vivo!
Pois te digo,
Não há receita no verso, amigo
Não há remédio limite ou abrigo
Não há verbo definitivo
Só é o que resiste
À margem das sombras e nos restos,
Enfim,
É o que há mais de mim
Sempre existe alguma coisa fora de controle
Pense nisso
Logo
Insisto.

COMO UM SUSPIRO
POEMAS PERFEITOS
PARADOXO
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
TOCA RAUL!
Você
pode até dizer que é um assunto batido e coisa e tal, mas ainda acredito que
vale um comentário, ou melhor, um grito de socorro. Posso parecer um indivíduo
intransigente, que não curto muito a aproximação social, mas veja bem, a
verdade é que no fundo eu não aguento mais parar em um posto de gasolina e de
repente ser obrigado a ouvir uma música altíssima de um carro com uma caixa de
som imensa, dessas potentes de baile. Nada contra a escolha musical do
indivíduo, apesar, de nesse caso, eu detestar e muito a trilha sonora que tocava
no referido automóvel. Existe uma Lei que me protege! Pelo menos essa é a sua
essência romântica na prática, disse um amigo meu outro dia curtindo com a
minha cara.
O
fato é que eu estou careca de saber que as Leis existem para serem manobradas e
nem preciso ser estudante de direito para compreender isso. A vida me ensinou
assim. Basta olhar para a realidade política do nosso país. Já foi o tempo em
que eu ficava emocionado ao ver uma mulher se derramando em lágrimas, mesmo em
Rede Nacional. Por favor, hoje não me comove mais.
Antes
de mergulhar no mérito da questão - e nem sei se isso vai acontecer por aqui – insisto
nesse assunto somente por curiosidade, talvez, uma forma de desabafo. Encare
isto do jeito que preferir. Mas vamos ao ocorrido.
Ontem,
ao estacionar minha moto no posto de gasolina do bairro, bem ao lado de um sujeito
esquisito dentro de seu carro com um som infernal, ao invés de fazer cara feia
- como das outras vezes - resolvi pegar um guardanapo e observar o indivíduo
atentamente como se fosse um objeto de pesquisa. Então, comecei a escrever
algumas razões possíveis para tal comportamento um tanto quanto invasivo do
motorista. E confesso que foi muito mais divertido e menos doloroso de engolir
aquele sapo.
A
primeira opção, e acho que todo mundo já pensou nisso, é que o cara deve ser
insatisfeito com a sua vida sexual. O som desesperadamente alto do seu
carro deve ser algum tipo de compensação. Quanto menor a ferramenta, mais alto
o volume. E esse era tão alto que cheguei a pensar nos pobres eunucos da vida –
será?
Pensei
também na infância do coitado. E logo deduzi que ele devia ser aquele moleque
imbecil, que sempre ficava no time da próxima rodada quando escolhíamos os
garotos para uma pelada no campinho nos fundos da escola. Como eu temia isso na
minha época, e por conta desse temor, eu chegava cedo com a minha bola novinha
entre os braços. A moçada adorava jogar com uma bola zerada. E eu nem passava
na seleção, já estava dentro. Gastei muito dinheiro do meu pai com essa
brincadeira.
Imaginei,
ainda, o malandro na adolescência, naquela fase beirando os 18. Sem carro, sem moto
e como consequência, não devia pegar ninguém. Olhei bem no seu rosto, lógico,
sem deixá-lo perceber que eu o encarava, e constatei. Ele tinha todo o jeito de
que passou grande parte da sua precoce vida nos cinco contra um - se é que você me entende. Com certeza devia ter
muito pêlo na palma da mão, mas eu nem quis investigar essa lenda.
Depois
de algumas risadas, um pouco mais relaxado, continuei a lista sem nenhuma
piedade do rapaz. Na verdade, já havia abstraído o maldito barulho ensurdecedor
do seu veículo e completamente motivado pela minha desenfreada imaginação, mergulhado
até o pescoço na tal lista, cheguei à conclusão de que podia se tratar de um
caso crônico de surdez. Tentei identificar a linguagem de sinais, em meio à
conversa muito gestual do motorista com a sua acompanhante, mas não foi nada
revelador. Ouvi dizer que a exposição exagerada do ouvido humano em um caso
como este, pode sim provocar a perda temporária ou total da audição. Mas não
era o caso.
Por
fim, sentado na minha moto e vendo o carro com som infernal indo embora,
cheguei à velha máxima: gosto não se discute, lamenta-se. Afirmo o fato sem a menor
cerimônia, por mais que você pense se tratar de uma conclusão clichê. E a vida não
é isso?
Quando
liguei meu veículo e estiquei o pé para passar a marcha, em um susto, estacionou
ao meu lado outro carro. Olhei discretamente, atitude normal de quem interage
na sociedade, e como se estivesse planejado, como se o sujeito tivesse
combinado com o motorista anterior - foi questão de segundos – o carona desceu
do carro, um fusquinha amarelo gema de ovo, totalmente fechado com adesivos coloridos variados, abriu o porta malas e em seguida o seu parceiro ligou o rádio. Imediatamente
parecia que o baile nunca havia terminado. Foi um choque geral, o povo todo em volta congelou. O motorista estava bastante animado, ensaiando alguns passinhos no ritmo
do som altíssimo do seu carro quase alegórico. Eu simplesmente desliguei a moto, conformado,
e peguei mais um guardanapo. Pelo volume da música que estraçalhava os ouvidos
alheios, a minha lista anterior parecia apenas o começo. E citando aqui outra máxima, eu me animei e gritei:
- Toca Raul!
- Toca Raul!

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
CARNE HUMANA NA VITRINE
Outro dia comprei uma discussão casca
grossa demais. Um amigo do mais alto naipe, super conectado com as novas
tecnologias de comunicação e um tarado na rotina Facebook, puxou uma conversa esquisita
sobre o Big Brother Brasil. Meteu o pau legal. Não deixou de fora nem mesmo o
Bial – e nesse caso, quem deixaria, não é?
Estranhei o diálogo iniciado, pois o
parceiro em questão é um tremendo nerd nas discussões. O verdadeiro dono da
verdade – assim ele pensa. Mandou o verbo na lata, sem nenhuma provocação. Disparou
sua metralhadora para todos os lados e nem se importou com a fisionomia dos que
estavam presentes. Olha, quando conversamos é sempre interessante percebermos a
feição dos que nos ouvem. Elas podem ser bastante reveladoras.
Não existe uma regra e coisa e tal,
mas quando estou em uma roda de conversa com amigos, no mínimo tento perceber
se o meu assunto segue em boa direção. Linguagem corporal entende? Depois que exploraram
esse quesito preconceituoso nas entrevistas de emprego, menosprezando a
possível capacidade do candidato, é preciso ficar atento. Já vi muita gente dançar.
Com um simples balanço de cabeça para o lado, na tentativa de espantar um
mosquito, o conceito do indivíduo pode ir por água abaixo. Fico imaginando o
entrevistador, caladão, com cara de Freud. E o mosquitinho desgraçado zunindo
na orelha do entrevistado.
- Hum... balançou a cabeça pra esquerda.
Por que não pra direita? Tá reprovado! Esse com certeza é problema...
Depois do meu amigo tanto investir na
depreciação do maldito Reality Show, a moçada da roda continuou em silêncio,
assim, como se estivesse acabado de passar um anjo. Saquei a cara do povo, tudo
fingimento. A impressão que dava era que nem tinham ouvido o colega. Alguns, pela falsa aparência,
navegavam em Marte ou Júpiter. Mas ninguém me tira da cabeça que eles estavam de olho na Terra, doidos por uma fofoca virtual daquelas. De qualquer
forma, eu não sosseguei e o questionei.
- Ei, fulano – não vou entregar o
santo pra não queimar o filme da criatura - não me ligo nessa programação, na
verdade, na minha casa não pega esse canal, mas olha só, você falou e eu fiquei
pensando aqui, qual a diferença do Big Brother para o Facebook, que tanto você
ama?
O silêncio continuou. Nossos amigos disfarçavam na maior cara dura, como se estivessem voando pela Via Láctea. Eu já tinha sacado que por nada desse mundo entrariam naquele debate. De repente, o falador saltou da cadeira como um cometa.
- Facebook? Mas eu não falei disso. Facebook
é Facebook! Uma ferramenta extremamente necessária para qualquer ser humano que
deseje estar conectado hoje em dia.
Então eu disse.
- Olha, parceiro, o Big Brother, assim
como o Facebook, propõe uma exposição descarada. É carne humana na vitrine. No
fundo, tem muita gente disposta a pendurar a sua carne, expor o quanto a sua
vida pode ser bacana. Mesmo sabendo que isso é história pra boi dormir.
- E daí? Cada um faz com o seu tempo o
que bem entender.
- Concordo. No caso da Rede Social, a
gente conecta lá, como quem não quer nada e de repente já era. Estamos mordendo
os lábios de raiva diante de tanta declaração otimista, uma publicidade
exagerada do quanto que a vida pode ser bela. E como te disse, a vida não é
tudo isso...
- E daí? Cada um na sua, não é?
- É o que eu tô dizendo, cidadão. Cada
um na sua e todo mundo ligado na vida dos outros. Então, igualzinho ao Big
Brother. O Carlinhos mesmo, ontem no Facebook, disse que o pai havia falecido.
Logo em seguida, tinha um monte de gente curtindo a situação. Tá legal, Big
Brother é careta, mas Facebook é massa?
O parceiro fulano ficou doido, quicou
de um lado para o outro, foi um verdadeiro Big Bang. Eu nem sabia o que fazer
diante daquela convulsão. Ele gaguejou, ensaiou algumas palavras, mas não
conseguiu esboçar nenhum argumento que me convencesse de que eu estava errado.
Passou uns segundos e ele se mandou.
Meus amigos se omitiram da discussão,
quer dizer, bem no ápice do diálogo fervoroso eles estavam lá, apertando
freneticamente seus celulares. Provavelmente estavam colocando a nossa carne na
vitrine. Parecia até que nos comandavam pelos seus aparelhos, como num game.
Depois de um tempo, eu me vi sozinho
no ponto de ônibus. Somente uma chuva rala me acompanhava. Não passava uma alma
pela rua. Saquei meu celular, conectei–me no Facebook e então, sinceramente, dei
meus pêsames para o Carlinhos. E imediatamente um bando de gente curtiu aquilo.
É ou não é carne humana na vitrine?

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
SEXTAS CRÔNICAS
Continua tudo muito corrido... a vida não dá trégua... ainda mais nessa época aflita de conexões e sites e blogs e facebook e twitter... enfim, são tantas ferramentas de comunicação, que me sinto dissolvido lentamente dentro desse mundo virtual. E o pior é que nem sempre essa comunicação é eficaz. O Fanzine RECEITA NO VERSO surgiu a partir dessa reflexão, e por falar nisso, esse mês tem Fanzine.
Já foi época que manter esse blog atualizado era uma meta. Por enquanto, retomo o exercício das crônicas. Somente nas sextas. Afinal de contas, as sextas sempre foram crônicas.

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