
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
IN... OUT....

terça-feira, 30 de agosto de 2011
MEUS CACHORROS FUGIRAM!

É JÁ!

O QUE FOI QUE VOCÊ AINDA NÃO ENTENDEU?

segunda-feira, 29 de agosto de 2011
LET'S GO!
- Uma vez, cheguei da escola e vi um quadro meu na lata de lixo da rua. Já tava todo manchado de cerveja. Só podia ser um recado, sabe, - aí, segue a tua obra. Apelou, Black. Fui no esconderijo das latas de tinta. Peguei dois sprays. Vermelho Sangue e Amarelo Van Gogh. Tava sozinha. (Free picha toda a 4ª parede) Pichei tudo dentro de casa. Tudo! (ela olha orgulhosa de sua obra) Meu pai quase bateu o pino quando descobriu a identidade do pichador. Agora você entende porque eu não posso voltar mais pra lá? (faz referência aos desenhos) Tá vendo aqui? Eles acham que isso é maluquice! Quem são eles pra arriscarem definições de maluquice? Louco é aquele que faz o que o outro é louco pra fazer e não faz? Então eu sou muito louca, sim! (bate com as duas latas de spray).
Eu sempre achei que faltava alguma coisa nessa cena, já até tinha imaginado uma música, mas agora, relendo o texto, vendo o vídeo, a música impôs a sua presença na parada. É Ramones. Lógico, é uma banda referência dela na peça. É isso. Let's Go!

É TUDO TÃO CONTRADITÓRIO, NÃO ACHA?
A temporada do espetáculo APENAS UM BLUES E UMA PAREDE PICHADA tem me surpreendido bastante. Esse é o terceiro projeto teatral de palco que a Cia. do Lavrado apresenta em seus seis anos de existência. Fizemos nossa estreia com O Pastelão e a Torta, em 2005 e Homens, Santos e Desertores, em 2008.
Ano passado, fomos convidados pelo Grupo Malandro é o Gato para a produção de Se Meu Ponto G Falasse, no qual fiz a Direção e a Trilha Sonora, a Graziela Camilo e o Renato Barbosa, ambos da Cia. do Lavrado, trabalharam como Atriz e Desenho de Luz, respectivamente.
Esse ano, decidimos encarar um drama. Colocamos em cena conflitos atuais quer dizer, ainda atuais, e percebemos de cara a resistência da sociedade em discutir certos conflitos.
Bom, o fio condutor dramático do espetáculo é o suicídio entre jovens. É a partir deste assunto que abordamos outras questões e que na verdade, são as que mais aparecem no nosso trabalho, como: gravidez não planejada, dificuldade na relação familiar, bullying, uso abusivo de álcool, cigarro e outras drogas, sexualidade e os rótulos sociais, enfim, é uma peça realista.
Percebemos até agora, que o público de Boa Vista não tá muito interessado em discutir essas questões e essa avaliação não é negativa, muito pelo contrário. É uma resposta imediata e significativa para o que estamos nos propondo. Embora o sucesso nos pareça sempre maior quando a casa está lotada. O que não é fato. Nem tudo que enche é de boa qualidade e nem tudo que tá vazio é uma merda. Digo isso pelo exemplo do teatro, dos shows de música regional, dos espetáculos de dança (que praticamente não existem no estado, a não ser em encerramento de curso), das exposições, dos cinemas gratuitos, enfim, podemos discutir muito mais sobre isso.
Em 2008, quando colocamos em cartaz o espetáculo Homens, Santos e Desertores tivemos uma média baixíssima de público. Era outro espetáculo realista, com conflitos existenciais e urbanos. Quem compareceu, curtiu e muito, até mesmo porque o texto de Mário Bortolotto é porrada na cara. É lindo.
Como sempre fazemos e assim acreditamos ser o nosso papel, colocamos novamente um drama em cartaz, mexemos na ferida de muita gente, na verdade de todos nós, pois todos temos feridas expostas. Tratamos daquilo que as pessoas evitam discutir dentro de sua própria casa. E é dessa forma que as relações interpessoais se desgastam. A falta do diálogo.
Cobramos um ingresso que acreditamos ser justo, R$ 14,00 e R$ 7,00, pois se nós não nos valorizarmos, então... mas aqui em Boa Vista o assistencialismo ainda impera, é cultural e vai demorar para modificarmos esse quadro. As pessoas ainda querem consumir arte só se for de graça ou bem baratinho. Bom, muitos artistas ainda seguem esse padrão, não contribuem em nada para que tal mudança aconteça. Não acreditam no que fazem. Pedem ajuda ao invés de firmarem parcerias. Acreditamos em uma temporada com 12 apresentações, que nos desse a oportunidade de vermos nosso trabalho nascer de verdade, pois a maioria dos espetáculos aqui de Boa Vista nem chegam a nascer. E falo da gente também, pois quando ensaiamos três meses e fazemos apenas 6 apresentações, como foi o caso de ABSURDÓPOLIS, QUE NOS PERDOE ARISTÓFANES, em 2009, que montamos com recursos próprios, sem dúvida alguma que matamos nosso trabalho antes mesmo dele nascer. É o preço que pagamos por depender demais dos editais e quando não conseguimos aprovar nenhum projeto, morremos na praia. No momento, estamos fazendo a nossa parte. Falando daquilo que acreditamos ser necessário. E com dramaturgia própria!
A formação de público em qualquer lugar do país é algo extremamente complexo. As pessoas não tem o hábito de consumir arte como algo necessário para a sua existência, a maior parte da população pensa apenas no entretenimento. Quem faz parte da Cia. do Lavrado ou já fez já conhece o nosso discurso por aqui, quem quer fazer teatro precisa ir ao teatro, aos shows, exposições, a todas as formas possíveis de arte que existem no nosso estado. Precisa ler mais o mundo a sua volta.
Com tudo isso, chegamos na metade da temporada. No último fim de semana foi um outro espetáculo. E na próxima semana será outro. Novos pontos de vistas para discutirmos e assim o teatro segue, cada vez mais vivo e provocativo. E lendo Denise Stoklos na semana passada, continuo com a questão: Pra que um cenário belíssimo, um figurino novíssimo, cheios de coloridos, a conta bancária gorda dos editais, se quando eu faço teatro, veja bem, quando(?) eu faço, o que faço não diz nada? Morro de medo de me tornar um medíocre. E será que não sou um? Como diz a personagem FREE, em Apenas um Blues... - É TUDO TÃO CONTRADITÓRIO, NÃO ACHA?
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
VIVA O TEATRO VIVO!
Na semana passada a Cia. do Lavrado entrou em cartaz com o espetáculo APENAS UM BLUES E UMA PAREDE PICHADA. Foi uma estreia fria. Correu tudo bem. Mas foi uma estreia fria. Eu cometi o erro de não realizar uma puta estreia. Acostumado aos espetáculos de teatro de rua, que não precisamos convidar ninguém, pois o espetácuo tá na rua, mas no palco, o lance é diferente. O povo gosta de estreia badalada. Os artistas, os intelectuais, os jornalistas, enfim, o povo que realmente fala sobre, esse povo gosta de estreia badalada. Legal, nem vou questionar o fato, faz parte do sistema e coisa e tal, mas eu me esqueci desse lance. Fizemos uma estreia sem convidarmos ninguém. Simplesmente abrimos a bilheteria e esperamos o público. Bom, foi um fim de semana com muitas opções... o povo até que chegou. Mas não tivemos o teatro cheio, aliás, o teatro não bombou. E eu esperava que fosse de outro jeito.
Na semana seguinte, corri atrás, divulguei direto, principalmente no meio acadêmico, pois a temática, suicídio entre jovens, é interessante pro povo de Serviço Social, Pedagogia, Psicologia e entre outros. Bom, pelo menos assim eu imaginava.
A segunda semana não foi diferente. Tivemos público. Muito tímido, mas tivemos público. Avaliei que deveria mudar algumas coisas, o teatro é vivo, então, fiz modificações, afinal de contas, o texto é meu. Valeu mesmo! Realmente o teatro é vivo! Foi muito bacana essa segunda semana. No domingo, resolvemos abrir pro debate, quer dizer, pro bate-papo, pois nos outros dias fiquei com a impressão de que algo ficou no ar. Acabava o espetáculo, o público batia palmas e ficava parado. Travado. Sei lá, falamos sobre o cotidiano, mas não falamos de um jeito carinhoso. E percebemos, pelo menos na última apresentação, que o povo queria falar. E falou mesmo. Foi surpreendente. Crescemos com essa discussão. Enfim, o espetáculo tá aí. Não é água com açúcar. Não faz o povo rir. É um drama. E falamos nesse momento daquilo que queremos falar. E na boa, percebi hoje que essa é a nossa identidade. Quem quiser chegar, que chegue. Estamos em cartaz. Foda-se o resto! Até mesmo porque o resto, bom, o resto faz teatro por conveniência. Só pra não esquecer, o povo que diz que faz teatro, até agora só vi três pessoas. A tal classe não vai ao teatro. São Ponto. E ponto final. Semana que vem tem mais. Hoje, depois do espetáculo, saímos pra uma pizza. Foi muito divertido. Estamos felizes. E de outro jeito, não vale de nada, sacou? Semana que vem tem mais. Viva o teatro vivo!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011
ESTREIA EM AGOSTO

CIA. DO LAVRADO ESTREIA ESPETÁCULO TEATRAL
No mês de agosto, a Cia. do Lavrado estreia o espetáculo APENAS UM BLUES E UMA PAREDE PICHADA, que conta a história de Black e Free, duas jovens completamente inadequadas aos padrões sociais e que resolvem de uma vez por todas mudar o rumo de suas vidas.
Black quer ser uma cantora de Blues, mas vive atormentada pelos planos de sua família, que sonha transformá-la em uma cantora Gospel. Free quer ser uma artista plástica. Deseja mudar as cores do mundo. Para driblar a indiferença que encontra em seu caminho, ela ataca os muros
da cidade com suas tintas.
Em um sistema adoecido, veloz e completamente individualista, a opressão nas relações sociais pode gerar consequências jamais desejadas e transformações jamais esperadas em uma sociedade. O processo exaustivo da afirmação de suas identidades não deixa muitas escolhas para essas jovens outsiders, que encontram no limite o início para uma nova vida.
O texto APENAS UM BLUES E UMA PAREDE PICHADA, de Marcelo Perez, foi escrito a partir da observação do autor de um fenômeno social, que hoje é considerado uma questão de saúde pública pela Organização Mundial de Saúde: o suicídio entre jovens. Em 2008, o diretor da Cia. do Lavrado, Marcelo Perez, inscreveu o Projeto Apenas Um Blues e uma Parede Pichada no Edital Bolsa de Estímulo à Criação Artística – Dramaturgia, da Fundação Nacional de
Artes - FUNARTE, no qual a sua ideia de criar um texto sobre esse tema foi contemplada.
Em 2010, a Cia. do Lavrado realizou a leitura dramatizada do texto no Teatro Jaber Xaud, no mês de maio. No mesmo ano, o Projeto de Montagem do espetáculo foi contemplado no Programa Microprojetos Mais Cultura – Amazônia Legal, da FUNARTE, sendo assim possível a sua realização em 2011.
FICHA TÉCNICA
APENAS UM BLUES E UMA PAREDE PICHADA
Texto e Direção: Marcelo Perez
Elenco: Joice Leó e Madalena Vaz
Cenário: Lívia Dourado e Marjorie Brilhante
Figurino: Bruma Sá
Desenho de Luz: Renato Barbosa
Trilha Sonora: Marcelo Perez
Desenho de Arte: Enilton Pereira
Contra-regra: Marcelo Freitas
Produção: Marcelo Perez
ESTREIA
Data: 13/08 - sábado
Local: TEATRO JABER XAUD – SESC MECEJANA
Horário: 20h e 30min
Censura: 16 anos
Ingressos: R$ 14,00 (INTEIRA ) e R$ 7,00 (MEIA)
Temporada: 14, 20, 21, 27 e 28/08 e 03, 04, 10, 11, 17 e 18/09
Informações: 9138-9481
Projeto montado com recursos do Edital Mais Cultura Microprojetos da Amazônia Legal (FUNARTE/MINC).
APOIO: TULIPA RESTAURANTE, LB CONSTRUÇÕES, BRASMOL, SHOP SOM e SESC.
Marcelo Perez
Cia. do Lavrado
Boa Vista / Roraima
www.ciadolavrado.com.br
www.sextascronicas2008.blogspot.com
